A inteligência artificial (IA) — e entreguemos logo o spoiler antes de contar a história — cometeu o crime perfeito. Fez ressuscitar a britânica Agatha Christie (1890-1976), a rainha do suspense na literatura, em uma série de cursos de escrita na BBC. As aulas são dadas pela própria escritora, com seu timbre de voz de sotaque inigualável, a prosódia ritmada e as palavras escolhidas à perfeição. O segredo: o avatar, chamemos assim, foi construído com base em fotografias, registros em vídeo e áudio, além de artigos e livros.
É espantoso, embora incômodo, como em outros episódios de gente morta que voltou à vida, ainda que soe esquisita definição tão categórica. O roqueiro Rod Stewart, vivinho da silva, aos 80 anos, pôs para girar em um de seus recentes shows, nos Estados Unidos, o metaleiro Ozzy Osbourne, falecido em julho, ao lado de outros fantasmas, como Freddie Mercury (1946-1991), Michael Jackson (1958-2009) e Tina Turner (1939-2023).
Deu o que falar. Apesar de muitos encararem o vídeo como uma forma leve e alegre de homenagem póstuma, houve quem classificasse o material de desrespeitoso, caricatura artificial incapaz de traduzir a densidade emocional da perda do artista. O tributo marcou o início de um novo dilema contemporâneo inevitável: se a IA chegou a tudo quanto é canto, e mexe com quase todas as atividades humanas, por que não trataria de auxiliar na finitude, tentando desfazê-la, por assim dizer?
Saiba mais na reportagem de #VEJA.
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