Grupo de direitos humanos egípcio abre processo para proteger o antigo local de danos causados por eventos de grande escala.
Um novo desafio legal contra concertos nas Pirâmides
As icônicas Pirâmides de Gizé, no Egito, receberam recentemente grandes concertos musicais, mas isso poderá em breve cair em silêncio. O Centro Egípcio para os Direitos Económicos e Sociais (ECESR) entrou com uma ação judicial contra as autoridades locais, com o objetivo de suspender todos os eventos musicais de grande porte no local.
A ação tem como alvo o Ministério do Turismo e Antiguidades, o Conselho Supremo de Antiguidades e o Governador de Gizé. O ECESR argumenta que as autoridades “não cumpriram o seu dever legal de proteger o local, apesar de estarem plenamente conscientes das festividades noturnas em curso”. Essencialmente, a organização afirma que os eventos representam uma séria ameaça aos monumentos com 4.500 anos de idade.
Por que razão o ECESR está a agir
Apesar de ter sido protocolada dias antes, a notícia chega logo após a recente apresentação do DJ Anyma no local, que atraiu mais de 15 mil pessoas. Outros artistas que se apresentaram lá incluem Carl Cox e Keinemusik, enquanto Travis Scott tentou se apresentar lá em 2023 antes de seu show ser cancelado.
De acordo com a denúncia do ECESR, a questão reside na escala e na configuração destas produções. O grupo afirma que os enormes sistemas de som geram “vibrações capazes de desestabilizar as antigas estruturas de pedra”, enquanto os sistemas de iluminação laser utilizados durante os concertos não cumprem os padrões internacionais para locais patrimoniais. Mesmo a construção e desmontagem de palcos e equipamentos poderia “representar um grave risco para a integridade estrutural das Pirâmides”.
O ECESR acredita que se esta situação continuar, não só colocará em perigo o património cultural do Egipto, mas também poderá prejudicar a posição do país perante os padrões de protecção do património da UNESCO.
O que a ação exige
A organização pede a suspensão imediata dos concertos de grande escala nas Pirâmides de Gizé. Isso inclui os planos do EXIT Festival de sediar um primeiro evento musical de vários dias e vários palcos no local.
Além de impedir eventos futuros, o ECESR também pretende que as autoridades adoptem medidas de protecção mais fortes, realizem trabalhos de restauração sempre que necessário e revejam todos os contratos privados relacionados com eventos nas pirâmides para garantir a transparência e a responsabilização pública.
Por que isso é importante para a indústria musical
Compreensivelmente, as pirâmides do Egito são um destino desejável para superestrelas globais que procuram criar performances icónicas. O caso do ECESR poderia pôr fim a esta situação.
O caso destaca uma tensão crescente entre eventos musicais ao vivo e sustentabilidade. Desta vez, o foco está na preservação da cultura, do patrimônio e da identidade. Se for bem sucedido, o caso poderá estabelecer um novo precedente sobre a forma como os sítios históricos antigos são usados para eventos musicais.
Resumindo: o processo do ECESR é mais do que apenas concertos, trata-se de proteger o património do Egipto para as gerações vindouras.
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