Uma organização afirma ser capaz de controlar o clima e faz mudanças significativas quando solicitado, e tem fortes laços com eventos britânicos.
A Fundação Cacique Cobra Coral é uma entidade sul-americana que se apresenta como esotérica-científica e pretende modificar clima fenômenos por meio do espírito do Cacique (palavra da língua Taino para ‘líder indígena’), manifestado no corpo da médium Adelaide Scritori, atual dirigente da instituição.
Sua história combina crenças religiosas, presença na mídia e uma série de contratos e convites que viajaram além das fronteiras, alcançando até a família real.
De acordo com seu site oficial, a missão da fundação é “minimizar catástrofes que podem ocorrer devido aos desequilíbrios causados pelo homem na natureza”.
A jornada da entidade, porém, é muito mais antiga do que o seu meio atual, explica Adelaide. Ela conta que quando ela nasceu, seu pai e ela receberam mensagens do espírito do Cacique, que ela afirma ter se comunicado com Galileu Galilei e Abraham Lincoln no passado.
A notoriedade da fundação, porém, disparou na década de 1980, quando Adelaide e o marido, Osmar Santos, começaram a apresentar propostas de intervenção climática a órgãos governamentais locais e internacionais.
Não demorou muito até que o The Guardian publicou duas histórias sobre o espírito em 1987 – um detalhando a oferta de ajuda da fundação a Margaret Thatcher para amenizar um inverno rigoroso, e o outro narrando uma proposta a Saddam Hussein do Iraque em que ofereciam vento e chuva no país em troca de uma trégua de guerra. Diz-se que Thatcher ignorou a proposta, enquanto Hussein a teria recusado educadamente.
Foi o suficiente para despertar o interesse britânico. Em 2011, durante Príncipe Guilherme e o casamento da princesa Catarina, o renomado jornal Folha de São Paulo noticiou que Adelaide Scritori havia sido contratada por um rico empresário para viajar a Londres e “manter a chuva longe do local do casamento”.
Alguns anos depois, em Príncipe Harry e no casamento da duquesa Meghan em 2018, o mesmo aconteceu, e Adelaide estava estacionada em Windsor para supostamente ajudar com o clima.
Após sua passagem pela realeza, a médium passou a trabalhar no Golfo de Gênova e no Festival de Cinema de Cannes.
Contudo, os fãs da Fundação não estão limitados ao Reino Unido. A FCCC afirma ter sido contactada por vários governos em crise. Durante uma tensão nuclear na Ásia, o Japão teria pedido ajuda para trazer chuva – a fim de dissipar resíduos químicos no caso de um possível ataque norte-coreano, segundo o cofundador Osmar Santos.
Diz-se que uma situação semelhante ocorreu na Guerra do Golfo em 1991, bem como na China em diversas ocasiões, onde a fundação afirma ajudar a limpar o ar poluído através de chuvas específicas.
A influência do grupo também serve o seu país – a fundação foi, aliás, contratada pelo estado brasileiro de Santa Catarina em 1985 devido a enchentes recorrentes, e pela cidade de Brasília durante a crise hídrica de 2017. A FCCC também é presença permanente em todas as edições do festival Rock in Rio, mesmo sem reconhecimento científico formal.
O casal afirma não cobrar por nenhuma das suas intervenções, por se tratar de uma organização não governamental.
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