Veterano de Hollywood Matt Damon está soando o alarme sobre a era da segunda tela do cinema. Durante uma recente reunião na Joe Rogan Experience para promover o novo thriller da Netflix “O Rasgo,” Damon e seu colaborador de longa data Ben Affleck abriram a cortina sobre como os gigantes do streaming estão influenciando o processo criativo.
Segundo Damon, o arco narrativo tradicional está sendo sacrificado para acomodar um público que não consegue desligar o telefonelevando a uma mudança no ritmo e a uma abordagem repetitiva de contar histórias que prioriza a retenção em vez das nuances.
A morte da queima lenta: por que seus filmes estão se repetindo
A mudança na estrutura é um afastamento do modelo de três atos que definiu o cinema de ação por décadas. Damon observou que embora os cineastas costumavam economizar seus maiores recursos para um grande final, o mundo do streaming baseado em dados exige gratificação imediata.
“A maneira padrão de fazer um filme de ação que aprendemos foi, você geralmente tem três peças definidas. Um no primeiro ato, um no segundo, um no terceiro”, explicou Damon. Ele observou que o terceiro ato sempre foi a prioridade do orçamento, servindo como a recompensa final pela paciência do espectador.
No entanto, as métricas de taxa de conclusão usadas por plataformas como a Netflix mudaram a matemática dos produtores. Damon revelou que os estúdios agora pressionam os criadores para antecipar a ação para evitar que os usuários cliquem nos primeiros minutos. “E agora eles estão tipo, ‘Podemos conseguir um grande problema nos primeiros cinco minutos? Queremos que as pessoas fiquem’”. ele disse. Essa mentalidade de “gancho a todo custo” foi projetada para capturar a atenção de um público distraído que muitas vezes realiza várias tarefas ao mesmo tempo enquanto assiste.
Talvez mais frustrante para os escritores seja a obrigação de repetir os pontos da trama através do diálogo – uma resposta direta ao fenômeno da segunda tela. Como os espectadores costumam navegar pelas redes sociais enquanto um filme é exibido, os estúdios temem perder o fio da história. Damon compartilhou o feedback contundente que atores e escritores estão recebendo: “Não seria terrível se você repetisse a trama três ou quatro vezes no diálogo porque as pessoas estão ao telefone enquanto assistem.”
Em última análise, esta tendência aponta para um futuro onde os filmes funcionam mais como ruído de fundo do que como experiências envolventes. Ao conceber filmes para serem compreendidos mesmo quando o espectador está apenas a ouvir parcialmente, a indústria corre o risco de perder a subtileza que torna o grande cinema ressonante. Para Damon e Affleck, navegar neste novo cenário significa equilibrar os seus instintos artísticos com uma realidade digital onde o smartphone é o maior concorrente do realizador.
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