Em seu último livro, a historiadora da Virginia Commonwealth University Brooke N. Newman documenta a verdade não contada por trás do envolvimento e investimento secular da família real britânica na escravidão.
Newman, Ph.D., professor associado do Departamento de História no Faculdade de Humanidades e Ciênciasbaseou-se em milhares de páginas de registros de arquivo para escrever “O silêncio da coroa: a história oculta da monarquia britânica e da escravidão nas Américas.” O seu livro traça as ligações da monarquia ao comércio transatlântico de escravos e à escravatura colonial, e os laços vão desde a Rainha Isabel I – a primeira monarca britânica a investir conscientemente e a lucrar com o comércio transatlântico de escravos – até à realeza de hoje, que ainda se recusa a reconhecer formalmente o papel da coroa na escravatura.
Neste ano Palestra Distinta Elske vP Smith em 5 de fevereiro, Newman compartilhará suas descobertas, examinando a conexão histórica entre a coroa britânica e a escravidão do século XVI ao século XIX. O evento, promovido pela Faculdade de Humanidades e Ciências, tem início às 17 horas, na Sala 202 do Edifício STEM, e inclui recepção e sessão de autógrafos.
VCU News conversou com Newman sobre seu novo trabalho.
Quais são as principais conclusões de “O Silêncio da Coroa”?
A escravidão não era periférica ao poder real; foi fundamental.
Os monarcas ingleses fretaram e apoiaram grandes empresas de comércio de escravos, incluindo a Royal African Company e a South Sea Company, que juntas traficaram dezenas de milhares de africanos escravizados para as Américas sob licença real. Mulheres, homens e crianças escravizados foram literalmente marcados com insígnias reais – iniciais e coroas – marcando o envolvimento direto da monarquia.
O Estado britânico, liderado pela coroa, também utilizou fundos públicos para comprar pessoas escravizadas e para defender e expandir sociedades escravistas, incorporando a escravatura no centro do sistema imperial britânico.
Qual tem sido o entendimento geral sobre o papel da Grã-Bretanha e da família real no comércio transatlântico de escravos até agora?
A Grã-Bretanha é amplamente lembrada como a nação que liderou a campanha para acabar com o comércio transatlântico de escravos, com uma monarquia agora vista como em grande parte cerimonial. Essa narrativa obscurece o papel dominante da Grã-Bretanha como império do comércio de escravos e a função secular da coroa como autoridade governamental que autorizou, financiou, expandiu, lucrou e defendeu a escravatura.
A abolição não acabou com a dependência da coroa do trabalho forçado. As pessoas escravizadas permaneceram em cativeiro nas colônias britânicas durante décadas. Os africanos apreendidos em navios negreiros ilegais pela Marinha Real foram forçados a estágios de aprendizagem de longo prazo ou ao serviço militar em nome do rei. E quando a escravidão finalmente acabou, a compensação fluiu para os escravizadores, não para os ex-escravizados.
Ao celebrar a abolição ignorando a exploração, a Grã-Bretanha – e a Coroa no seu centro – evitou ter em conta o quão profundamente a sua riqueza nacional e o seu poder global foram construídos sobre a escravatura racial.
Como é que a Grã-Bretanha e a família real encararam – ou não – este passado?
O rei Carlos expressou “tristeza pessoal” pela escravatura, mas não reconheceu nem pediu desculpa pelo papel da coroa na criação e manutenção do império escravista britânico no Atlântico. Não houve divulgação completa dos arquivos ou coleções reais, nenhuma educação pública sustentada e nenhum compromisso formal de reparação.
Um acerto de contas genuíno exigiria transparência, reconhecimento inequívoco e envolvimento de longo prazo com os legados duradouros da escravatura e das comunidades descendentes.
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