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Miami, Flórida, EUA, 13 de fevereiro de 2026 (GLOBE NEWSWIRE) — E se o filme perfeito para um encontro noturno que chega aos cinemas neste fim de semana também for a improvável história de origem de uma das coisas mais latinas da televisão?
12 de fevereiro de 2026 – (NOTICIAS NEWSWIRE) – Em 13 de fevereiro, Wuthering Heights, da Warner Bros Pictures, retorna à tela grande, convidando o público para seu romance tempestuoso de saudade, desgosto e obsessão – estrelado por Margot Robbie e Jacob Elordi. Mas muito antes de se tornar um clássico gótico, a história de Emily Brontë ajudou a lançar as bases para algo muito além das charnecas inglesas: o modelo emocional da novela moderna.
Isso mesmo. O Morro dos Ventos Uivantes não é apenas uma história de amor tóxica.
É melodrama – na sua forma mais pura.
E, em muitos aspectos, é o ancestral de um gênero que a América Latina um dia aperfeiçoaria… e evoluiria para os micro dramas viciantes de hoje, como esta Minivela que está sendo cada vez mais consumida nas redes sociais por uma nova geração.
Um romance gótico que nunca foi sutil
Publicado em 1847, O Morro dos Ventos Uivantes apresentou aos leitores Catherine Earnshaw e Heathcliff, dois amantes unidos por uma paixão tão feroz que se torna destrutiva. O relacionamento deles desafia a classe, as expectativas familiares e até a moralidade. Catherine é dividida entre a natureza selvagem de sua alma e a respeitabilidade que a sociedade exige.
Heathcliff, o estranho, carrega as feridas da rejeição até que o amor se transforme em vingança.
Isto não é romance educado.
É obsessão, traição, ciúme e desgosto geracional.
Ou seja: esta é a novela antes da novela existir.
Do romance gótico à novela de rádio
É claro que a novela não apareceu da noite para o dia.
Suas origens modernas remontam ao início da década de 1940, com o surgimento de novelas radiofônicas em espanhol na Argentina, México e Cuba. Patrocinados por empresas de bens de consumo, estes dramas – e comédias ocasionais – uniram famílias, especialmente donas de casa reunidas em torno de aparelhos de rádio gigantes, ouvindo histórias de amor que se desenrolavam em episódios.
Quando a televisão chegou à América Latina na década de 1950, a radionovela transformou-se quase instantaneamente em telenovela. O Brasil tomou a iniciativa com Sua Vida Me Pertence em 1951. Cuba seguiu em 1957 com Hasta Que la Muerte Nos Separe. O México juntou-se logo depois, em 1958, com Senda.
Muitas dessas primeiras obras se perderam na história porque foram transmitidas ao vivo, e não gravadas.
Mas o gênero estava apenas começando.
A trama, como dizem, estava prestes a se complicar.
Entra Delia Fiallo, a Rainha da Novela
Em 1971, a escritora cubana exilada Delia Fiallo energizou o gênero para sempre com uma obra-prima chamada Esmeralda – uma história semelhante à Cinderela de uma linda menina cega órfã.
Tornou-se o modelo da novela moderna de hoje.
Mais importante ainda, foi uma sensação tão grande que se tornou uma das primeiras novelas a ser gravada, distribuída e vendida em toda a América Latina, transformando o melodrama numa máquina internacional.
Da década de 1970 até sua aposentadoria em meados da década de 1980, Fiallo criou histórias tão rapidamente que às vezes ditava cenas inteiras por telefone no mesmo dia em que eram filmadas.
Ela não se esquivou de temas tabus: divórcio, estupro, dependência de drogas, classismo.
E essa honestidade crua tornou seus personagens identificáveis em todas as classes sociais.
Alguns dizem que seu trabalho quase sozinho ajudou a lançar as potências de rede que conhecemos hoje: Televisa-Univision, Telemundo e muito mais.
O legado ainda vive
A conquista dos mercados internacionais continuou com clássicos como Cristal (1985) e Kassandra, que foi traduzido para 22 idiomas e exibido em mais de 150 países — incluindo o Japão.
Hoje, em grande parte graças aos mais de 43 melodramas de Delia, a novela cresceu de uma indústria multimilionária para uma que gera bilhões anualmente em todo o mundo.
E tudo remonta a histórias como O Morro dos Ventos Uivantes – onde o amor é uma catástrofe, a emoção é o destino e o passado nunca para de assombrar o presente.
Portanto, neste fim de semana, quando O Morro dos Ventos Uivantes chega aos cinemas em 13 de fevereiro, pode parecer um romance gótico de outro mundo.
Mas ouça com atenção.
Atrás de Catherine e Heathcliff já se ouvem os ecos da novela.
E desta vez, esse eco é inconfundivelmente nuestro – dramático, impossível e eterno.
Por A. Ruiz
Anexo
CONTATO: Rameh Echeverri [email protected]
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