As cinco músicas do último EP da cantora e compositora australiana Sarah Blasko, Mundo Esquecido, foram gravados e mixados ao mesmo tempo que seu célebre sétimo álbum, Eu só preciso conquistar esta montanha, a partir de 2024. Os críticos elogiaram o álbum pela exploração de temas pessoais sombrios (por exemplo, divórcio, dúvida religiosa, morte) que servem como veículo para olhar em direção a um futuro melhor. As músicas do novo EP não foram incluídas porque tornariam o disco original muito longo. Isso diminuiria o impacto que Blasko, como produtor, queria que a coleção tivesse.
Porém, essas músicas eram boas demais para serem esquecidas, como sugere o título do novo lançamento. Essas faixas conduzidas pelo piano conectam-se tanto sonora quanto tematicamente. Blasko cria atmosferas sobrenaturais para evocar pensamentos e emoções inconscientes que estão por trás e além do nosso comportamento consciente. Não é preciso ser Sigmund Freud para interpretar seus “Sonhos”, como diz uma música. Os mistérios das nossas esperanças e desejos tornam-se manifestos quando refletimos sobre o passado para orientar o comportamento atual. Seus sonhos podem ter morrido, mas sua alma está viva. Novos sonhos nascem dos antigos.
Blasko tem uma voz aguda e elegante, que lembra um pouco Kate Bush durante sua fase “O Morro dos Ventos Uivantes”. Isso aumenta o efeito etéreo do PE. As músicas parecem vir do mundo espiritual através de sua voz. “Acho que sei do que estamos falando sem precisarmos de palavras / O que você está projetando está fora deste mundo / A linguagem não foi ouvida”, ela canta em “Human”. Blasko coloca os sentimentos acima da lógica e do pensamento. Ela expressa significados mais elevados através do som. As letras não oferecem detalhes ou especificidades sobre o passado porque não são mais importantes. Tudo o que resta é seguir em frente.
É claro que as coisas não são tão simples. A cantora se vê “Overboard”, palavra que canta repetidamente para expressar estar perdida no mar do amor. Blasko chora tanto que causa uma inundação; ela lamenta poeticamente. No entanto, ela não se afoga. Ela pode se sentir sozinha, mas entende que o ato de cantar é redentor por si só. A tristeza é temporária. Blasko mudou e continuará mudando.
Tudo pode estar “de cabeça para baixo”, mas há uma vantagem em estar para baixo. Há uma emoção em recomeçar. O fim dos velhos hábitos promete autodescoberta e novas formas de ser. Os “woo-hoos” que pontuam os versos da faixa final revelam sua alegria. A existência anterior de Blasko pode estar morta e enterrada, mas a centelha interior não se apagou.
O “Mundo Esquecido” de quem ela já foi ressurge na sua compreensão do que foi perdido e do que foi ganho. A beleza do EP está no uso criativo que Sarah Blasko faz de seus demônios pessoais para compartilhar sentimentos profundos sem ser dominada por eles. As canções funcionam como uma residência para o futuro, não como um mausoléu para o passado.
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