Aos 26 anos, o músico paraguaio Seba González, conhecido artisticamente como Bastianes, traçou um caminho definido pela resiliência, colaboração e uma aceitação inabalável da vulnerabilidade. Falando com Os Tempos de Assunçãoele reflete sobre o longo caminho desde seus primeiros resgates de canções adolescentes, bem como de novas canções elaboradas, até o lançamento de seu álbum de estreia, Tudo o que vai cair (Tudo o que resta).
Origens e identidade
Bastianes começou em 2018 como um projeto pessoal de González, nascido do desejo de evitar o rótulo de “artista solo”.
“Eu não queria que fosse Seba González. Queria algo que parecesse maior do que eu. O próprio nome veio da sugestão de um amigo da família, inspirado no garoto do filme, chamado Bastian, sobre o cachorro voador de The Never Ending Story.”
Desde o início, o projeto foi colaborativo, com amigos contribuindo na produção e nas apresentações ao vivo.

Lançado após anos de pausas e reinvenções, o último álbum é uma coleção de oito músicas escritas entre 19 e 25 anos. “Cada faixa faz parte dessa fase da vida, sonhos desaparecendo, prioridades mudando, decepções, amor e gratidão.” Algumas músicas datam de 2019, retrabalhadas até encontrarem seu lugar. Outros surgiram durante a pandemia ou em anos mais recentes.
Ele descreve o processo criativo como exigente, mas libertador:
“Compor é muito masoquista. Cuspo tudo e depois descubro o que funciona. Se forçar, não vem. Mas quando flui, acontece rápido.” Vulnerabilidade, domesticidade e crueza tornaram-se os princípios orientadores. Canções como Pará Sanarme (Para me curar) e Cansado (Cansados) são profundamente catárticos, servindo como liberação emocional.
Influências e identidade paraguaia
Musicalmente, o álbum traz diversas influências: a banda inglesa Arctic Monkeys, os Estados Unidos The Strokes, a dupla venezuelana Lara Project e a nova onda de rock argentino. Mesmo assim, González insiste que a identidade paraguaia está mais presente nas letras.
“Está na forma como dizemos as coisas, diretas, simples, como contar a um amigo sobre um relacionamento.” Por outro lado, sobre a faixa de encerramento, “In Prisão (Prisão) queríamos trazer o som para mais perto de casa, tocando com o ritmo 6/8 e a percussão folclórica. Mas é na letra, na franqueza, na simplicidade que transparece a identidade paraguaia.”
Colaboração e crescimento
Embora Bastianes seja um projeto solo, Seba prospera na colaboração. “Trabalhar com meus amigos torna o processo natural. Às vezes chego com uma ideia meio construída no computador, outras vezes só com um violão, e começamos do zero. A comunicação é direta e profissional quando estamos criando, mas fora disso, somos simplesmente companheiros de novo. É uma forma muito bonita de trabalhar.” Suas origens variadas, da música urbana ao rock, criam uma rica mistura de texturas. Os desacordos são inevitáveis, mas o compromisso garante o progresso. “Todos nós trabalhamos pela música, não pelos egos.”
A resposta a Tudo o que vai cair tem sido encorajador. “É facilmente o melhor trabalho que fizemos juntos”, afirma, embora admita a ansiedade de ir além do seu círculo de confiança. Sua esperança é conectar-se com públicos mais amplos, tanto no Paraguai quanto no exterior. “Quero tocar em qualquer lugar, dentro do país, fora, conhecer gente nova, continuar aprendendo.”
Mensagem aos ouvintes
Para quem está descobrindo Bastianes, Seba faz um convite simples: “Aproveite. Você pode chorar, então prepare lenços. Pense em alguém que você ama, ou em alguém que não está mais aqui. O álbum é uma montanha-russa de emoções, um refúgio. Espero que as pessoas se encontrem nele”.
Se você quiser ouvir Tudo o que vai cairacesse o Spotify do Bastianes. Além disso, para mais informações sobre o artista, você pode conferir Bastianes no Instagram.
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