{"id":1493153,"date":"2025-11-12T19:34:46","date_gmt":"2025-11-12T19:34:46","guid":{"rendered":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/?p=1493153"},"modified":"2025-11-12T19:34:46","modified_gmt":"2025-11-12T19:34:46","slug":"um-espelho-refletindo-a-escuridao-humana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/um-espelho-refletindo-a-escuridao-humana\/","title":{"rendered":"Um espelho refletindo a escurid\u00e3o humana"},"content":{"rendered":"\n<figure><\/figure>\n<\/p>\n<div>\n<p>Artigo original: <a target=\"_blank\" rel=\"nofollow\" target=\"_blank\" href=\"https:\/\/www.elciudadano.com\/arte-cultura\/entrevista-a-gonzalo-garay-por-su-nuevo-libro-la-musica-de-los-domingos-por-la-tarde-un-espejo-que-refleja-la-oscuridad-humana\/11\/12\/\">Entrevista a Gonzalo Garay por seu novo livro \u201cLa m\u00fasica de los domingos por la tarde\u201d: Um espejo que reflete a oscuridade humana<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Por Mariana Hales<\/strong><\/p>\n<p>O autor e ex-juiz Gonzalo Garay Burn\u00e1s apresenta seu \u00faltimo romance, \u00abA M\u00fasica das Tardes de Domingo\u00bb, uma obra sombria, \u00edntima e provocativa que investiga os limites da moralidade, da loucura e da reden\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Escrita na primeira pessoa por Nicol\u00e1s, um jovem escritor chileno, a narrativa se desenrola entre Paris e Concepci\u00f3n, explorando a rela\u00e7\u00e3o obsessiva entre o protagonista e seu enigm\u00e1tico mentor, Basti\u00e1n \u2013 um homem t\u00e3o carism\u00e1tico quanto inquietante.<\/p>\n<p>Com este novo romance, Garay \u2013 conhecido por obras como \u00abAuthor&#8217;s Kitchen\u00bb, \u00abCandy, Candy, Candy\u00bb e \u00abThe Lives of Others\u00bb \u2014 solidifica um estilo narrativo visceral e contempor\u00e2neo que mostra com ousadia os aspectos desconfort\u00e1veis \u200b\u200bdo desejo, da culpa e da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. A sua escrita, caracterizada por uma tens\u00e3o entre o po\u00e9tico e o austero, suscita a reflex\u00e3o sobre a fragilidade humana e a procura de sentido no meio do caos.<\/p>\n<p>Nesta entrevista ao El Ciudadano, Gonzalo Garay Burn\u00e1s discute as motiva\u00e7\u00f5es do seu novo livro, as intrincadas caracteriza\u00e7\u00f5es de Basti\u00e1n e Nicol\u00e1s e aquela \u00abm\u00fasica interna\u00bb que ele acredita guiar cada ato de escrita.<\/p>\n<p><strong>\u00abA M\u00fasica das Tardes de Domingo\u00bb explora as fronteiras da moralidade, da loucura e da reden\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da escrita. Que motiva\u00e7\u00f5es pessoais ou liter\u00e1rias o levaram a escrever uma hist\u00f3ria t\u00e3o sombria e \u00edntima?<\/strong><\/p>\n<p>Senti a necessidade de continuar explorando o universo de Basti\u00e1n e Nicol\u00e1s, que apareceu pela primeira vez no meu romance <em>Cozinha do Autor<\/em> e evolu\u00ed ainda mais em meu pr\u00f3ximo livro: <em>Doces, Doces, Doces<\/em>. Este novo livro diz respeito a essa m\u00fasica interna que funciona como uma m\u00e1quina de ideias, descodificando observa\u00e7\u00f5es quotidianas que alimentam a minha escrita.<\/p>\n<p>N\u00e3o desenhei motiva\u00e7\u00f5es pessoais para esta hist\u00f3ria; J\u00e1 explorei minha jornada autobiogr\u00e1fica em <em>O grego<\/em> e <em>A vida dos outros<\/em>. Essa base foi suficiente. Este livro \u00e9 um exerc\u00edcio liter\u00e1rio que visa colocar Basti\u00e1n e Nicol\u00e1s em cen\u00e1rios variados, investigando os seus horrores e o que os move e obceca. Tinha que estar escuro porque os dois personagens compartilham essa caracter\u00edstica, n\u00e3o havia outra op\u00e7\u00e3o. Ainda assim, acredito que h\u00e1 espa\u00e7o para humor, s\u00e1tira e intelig\u00eancia. \u00c9 um romance dos nossos tempos \u2013 cru e dif\u00edcil, refletindo as realidades atuais. N\u00e3o poderia escrever de nenhum outro lugar; a realidade \u00e9 como \u00e9, independentemente da percep\u00e7\u00e3o ou idealiza\u00e7\u00e3o individual.<\/p>\n<p>Nicol\u00e1s \u00e9 escritor e considero essa profiss\u00e3o um excelente ve\u00edculo para explorar dilemas morais e loucuras, o que n\u00e3o \u00e9 novidade. O que \u00e9 diferente est\u00e1 no estilo narrativo, na perspectiva e nos cen\u00e1rios. Os escritores est\u00e3o em uma busca perp\u00e9tua; \u00e9 disso que trata cada novo livro: descobertas, questionamentos por que escrevemos e a ess\u00eancia da jornada liter\u00e1ria.<\/p>\n<p>Cada livro funciona como uma revela\u00e7\u00e3o, lan\u00e7ando uma nova camada de verdade que se conecta profundamente com temas de loucura e moralidade. Citando meu amigo e escritor Luis Nitrihual, acredito <em>A m\u00fasica das tardes de domingo<\/em> tenta responder \u00e0s seguintes perguntas: Quem disse que falar a verdade faz bem \u00e0 sa\u00fade? Quem pode acreditar que ser escritor \u00e9 o melhor trabalho do mundo? Somente aqueles que n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O personagem de Basti\u00e1n, com sua mistura de carisma e psicopatia, cria um fasc\u00ednio perigoso em Nicol\u00e1s. Como voc\u00ea construiu essa figura perturbadora e que papel ela desempenha na jornada interior do protagonista?<\/strong><\/p>\n<p>Basti\u00e1n Richter \u00e9 um mist\u00e9rio, at\u00e9 para mim. Ele serve como met\u00e1fora da arte e do sucesso, destacando como esses conceitos podem coexistir com o engano disfar\u00e7ado de prazer. H\u00e1 um jogo com quest\u00f5es est\u00e9ticas e com o ciclo decadente de vidas vazias que necessitam de est\u00edmulos externos para se envolverem com a din\u00e2mica que as rodeia. A comida entra sutilmente na hist\u00f3ria, protegendo Basti\u00e1n da verdade, permitindo-lhe contorn\u00e1-la.<\/p>\n<p>Se eu lhe contasse como escrevi para ele, estaria mentindo; N\u00e3o tenho certeza. O personagem sempre foi bastante independente desde que escrevi <em>Cozinha do Autor<\/em>; Nunca tive a inten\u00e7\u00e3o de control\u00e1-lo. Eu o libertei para tra\u00e7ar seu pr\u00f3prio caminho, independentemente da rejei\u00e7\u00e3o que eu \u00e0s vezes sentia. Basti\u00e1n serve de refer\u00eancia para Nicol\u00e1s \u2013 um homem solit\u00e1rio que parece saber tudo; forte, bem sucedido, cativante. Ele representa o destino que Nicol\u00e1s aspira, mas que sabe que nunca poder\u00e1 alcan\u00e7ar, da\u00ed as contradi\u00e7\u00f5es do personagem. Basti\u00e1n at\u00e9 exerce dom\u00ednio na sua aus\u00eancia, incutindo medo em Nicol\u00e1s, o que desencadeia uma torrente emocional que o leva a idolatrar e abominar o seu mentor simultaneamente. Mesmo ap\u00f3s a morte de Basti\u00e1n, Nicol\u00e1s tenta decifr\u00e1-lo.<\/p>\n<p><strong>O fogo surge como s\u00edmbolo central do romance, ligado tanto ao crime quanto \u00e0 reden\u00e7\u00e3o. O que o fogo representa para voc\u00ea, do ponto de vista narrativo ou pessoal?<\/strong><\/p>\n<p>Engana-se quem tenta apagar o passado com chamas; o fogo nunca consome tudo \u2013 sempre deixa algo para tr\u00e1s: uma pista, uma evid\u00eancia, uma express\u00e3o de inten\u00e7\u00e3o, o esp\u00edrito do perpetrador. O fogo entrou no texto porque a realidade me parece ardente, al\u00e9m do que posso observar aqui em Temuco e arredores, onde alguns acreditam que controlam tudo com um f\u00f3sforo e um pouco de gasolina. O protagonista de <em>A m\u00fasica das tardes de domingo<\/em> compartilha essa percep\u00e7\u00e3o distorcida.<\/p>\n<p>O fogo simboliza a paix\u00e3o, um impulso vital, a fa\u00edsca que pode acender a criatividade, mas tamb\u00e9m pode obscurec\u00ea-la se n\u00e3o for tratada adequadamente. O fogo carrega um calor interno que exige que se transforme em palavras o que ressoa dentro de si \u2013 aquela m\u00fasica ardente da qual \u00e9 preciso se libertar. O fogo tamb\u00e9m \u00e9 mem\u00f3ria, como uma tocha transmitida de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, mantendo algo vivo mesmo em momentos incertos.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 que ponto Nicol\u00e1s \u00e9 um alter ego seu, ou \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria completamente aut\u00f3noma?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 sempre um peda\u00e7o do autor em cada livro, embora eu n\u00e3o tenha nenhuma rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com Nicol\u00e1s. Nicol\u00e1s \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o independente que me acompanha h\u00e1 bastante tempo, talvez demasiado tempo. Ainda me lembro dos ambientes que ele habita, do cheiro de sua casa deserta, das vistas da janela de seu escrit\u00f3rio para Concepci\u00f3n \u2013 a cidade liter\u00e1ria que me inspira. Convivemos muito tempo, sonhei com ele, respir\u00e1vamos o mesmo ar. Eu tive que deix\u00e1-lo ir porque ele estava me consumindo. Eu precisava de um tempo para mim. Espero que ele n\u00e3o interfira na minha pr\u00f3xima hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea definiria este romance em poucas palavras? Se voc\u00ea tivesse que descrev\u00ea-lo com tr\u00eas adjetivos, quais seriam e por qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p><em>A m\u00fasica das tardes de domingo<\/em> \u00e9 uma nostalgia suave, pois marca o fim de uma fase, de uma \u00e9poca e de um dia, anunciando o regresso do quotidiano. \u00c9 talvez um sopro entre o que foi e o que est\u00e1 por vir, uma melodia que entrela\u00e7a melancolia e tens\u00e3o: a tarde de domingo carrega um tom de despedida, quase musical, que n\u00e3o \u00e9 uma tristeza completa, mas sim uma leve sombra.<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea acredita que diferencia \u00abA M\u00fasica das Tardes de Domingo\u00bb dos seus trabalhos anteriores? Como seu estilo difere ou se intensifica aqui?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma proposta de metanarrativa; Acredito que isso o diferencia de meus trabalhos anteriores. Na minha busca constante por atualizar minha narrativa e me envolver em um jogo diferente, voc\u00ea encontrar\u00e1 uma hist\u00f3ria que n\u00e3o pretende amenizar os fatos, mergulhando na din\u00e2mica familiar: a jornada de um filho \u00fanico ap\u00f3s a morte dos pais ou a posi\u00e7\u00e3o que um humilde fraudador assume quando finalmente se sente bem-sucedido em um mundo que agora os aceita. As hist\u00f3rias pessoais moldam o futuro dos personagens, ancorando-os em um basti\u00e3o do qual n\u00e3o podem escapar sem se machucar. A busca pelo sucesso, se \u00e9 que tal coisa existe, oferece vari\u00e1veis \u200b\u200bincrivelmente distorcidas. H\u00e1 algo disso neste livro, junto com elementos de sangue e fogo. N\u00e3o posso renunciar ao tom visceral das minhas obras; Escrevo enquanto vivo.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea espera que este romance impacte os leitores? Que emo\u00e7\u00f5es ou reflex\u00f5es voc\u00ea acha que isso pode evocar?<\/strong><\/p>\n<p>Sempre espero que a cada leitura surja um di\u00e1logo, que o leitor crie sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria a partir das cenas do livro. O circuito da escrita chega ao seu encerramento com os leitores, a partir da\u00ed embarcando em sua pr\u00f3pria jornada. Espero que isso lhes d\u00ea prazer e os divirta: que abracem Nicol\u00e1s e o tornem seu, que o tirem de mim e o mantenham com eles. Eles me fariam um grande favor.<\/p>\n<p><strong>Entrevista por Mariana Hales<\/strong><\/p>\n<\/p>\n<\/div>\n<p><em>  &#8216;O artigo anterior pode incluir informa\u00e7\u00f5es divulgadas por terceiros&#8217; <\/em><\/p>\n<p><em>  &#8216;Alguns detalhes deste artigo foram extra\u00eddos da seguinte fonte www.elciudadano.com&#8217; <\/em><\/p>\n<p><em> \u2018 O artigo anterior foi obtido e traduzido do site internacional da celebrity.land   \u2019 Source Link <\/em><\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo original: Entrevista a Gonzalo Garay por seu novo livro \u201cLa m\u00fasica de los domingos por la tarde\u201d: Um espejo que reflete a oscuridade humana Por Mariana Hales O autor e ex-juiz Gonzalo Garay Burn\u00e1s apresenta seu \u00faltimo romance, \u00abA M\u00fasica das Tardes de Domingo\u00bb, uma obra sombria, \u00edntima e provocativa que investiga os limites [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1493154,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[],"class_list":["post-1493153","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-musica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493153","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1493153"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1493153\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1493154"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1493153"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1493153"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/celebrity.land\/pt\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1493153"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}