EXCLUSIVO: O último filme brasileiro da Netflix é O Filho de Mil Homens, uma adaptação do romance de Valter Hugo Mãe (‘O Filho de Mil Homens’). Conta a história de Crisóstomo, um pescador que viveu fora da sociedade e sonha em ter um filho. A sua vida muda quando conhece Camilo, interpretado por Miguel Martines, um menino órfão que acolhe. O astro brasileiro Rodrigo Santoro (300, Amor de Verdade) conversou com o Deadline para falar sobre como interpretar Crisóstomo, e o roteirista e diretor Daniel Rezende nos contou sobre a redação do roteiro e a direção.
DATA LIMITE: Daniel, este não é um romance fácil de adaptar, qual foi sua abordagem?
Mais do prazo
DANIEL REZENDE: Ouvi de muita gente que é um livro impossível de adaptar pela forma como Valter Hugo Mãe lidou com as palavras em português; é tão poético, é tão sensorial, é tão mágico. Não pensei em como seria difícil me adaptar. Fiquei completamente encantado com o livro e comovido com sua humanidade. Ele descreveu muitos sentimentos aos quais me senti completamente conectado.
Ó FILHO DE MIL HOMENS. Rodrigo Santoro como Crisóstomo, Daniel Rezende como Diretor em O Filho de Mil Homens. Cr. Marcos Serra Lima/Netflix © 2025
DATA LIMITE: Rodrigo, o que você viu dentro do personagem Crisóstomo?
RODRIGO SANTORO: Ele está profundamente conectado à natureza e profundamente desconectado das pessoas, da sociedade. Isso cria uma pessoa que é muito sábia, de certa forma, porque está ligada à Mãe Natureza, mas também muito ingénua e livre de todos os tipos de vícios e códigos que temos na nossa sociedade. É um homem muito interessante, completamente aberto e sem julgamentos, e alguém que realmente escuta.
DATA LIMITE: O que você pediu ao Rodrigo como diretor do filme?
DANIEL REZENDE: É diferente de cada papel que ele desempenhou. No livro, Crisóstomo fala muito. No filme, nós o deixamos bastante silencioso. Ele não fala muito.
Algo que foi muito importante para mim nesse filme foi criar essa referência de masculinidade que não vejo na arte. É uma masculinidade que se baseia na escuta, na empatia e na conexão. Crisóstomo cresceu afastado da sociedade, então não conhece os códigos, não tem as crenças da sociedade. Ele é muito conectado com a natureza, mas não sabe se conectar com as pessoas. Ele não tem medo de mostrar seus sentimentos e não julga.
DATA LIMITE: Rodrigo, De certa forma é um filme sobre família e adoção, mas você sentiu que existem outros temas?
RODRIGO SANTORO: Crisóstomo quer ser pai e procura um filho, mas o filme vai além de adotar uma pessoa. O filme tenta explorar a ideia de adotar “o outro”; a outra pessoa, adotando o mundo, adotando a si mesmo e olhando verdadeiramente para dentro de um mundo em que estamos desesperados para encontrar conexões, mas cada vez mais permanecemos apenas em nossas telas. Não olhamos nos olhos de outra pessoa. Não paramos para conversar.
PRAZO: Você escreve e dirige, portanto, supervisione as palavras e a aparência do filme. O que você procurava em termos de estética e tom?
DANIEL REZENDE: Foi a primeira vez que eu mesmo escrevi um roteiro e tive que fugir das palavras que Valter usa no livro e transformar essa obra poética em imagens, em silêncio e em situações que parecessem cinematográficas. O maior desafio foi construir esse realismo mágico, que não tem lugar, nem hora.
A fotografia, a direção de arte, o figurino, tudo foi feito para a gente não entender onde estamos, e nos trazer essa ideia de pertencer a esse lugar, que está aqui e agora, mas também está em todo lugar e a qualquer hora. Há uma sensação de atemporalidade.
PRAZO: Daniel fala sobre a sensação de atemporalidade, mas qual é a ressonância para o mundo em que vivemos hoje?
RODRIGO SANTORO: Crisóstomo é muito contemporâneo e perfeito para o mundo em que vivemos, e para todas as discussões que estamos tendo sobre masculinidade e sobre conexão em um mundo onde estamos muito absorvidos pelo quanto temos que realizar e pelo quanto temos que vencer.
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