Quando Kim Niehaus se tornou fã de Taylor Swift na escola, os colegas zombaram dela.
“Se você aparecesse com uma camiseta da Taylor Swift, era extremamente constrangedor”, lembra ela. Mesmo assim, ela permaneceu leal – até mesmo uma vez faltou duas horas de aula para assistir a um show.
Anos depois, Niehaus é um influenciador que fala sobre como a cultura dos fãs pode criar um poderoso sentimento de pertencimento.
De Swift a ídolos de K-pop e bandas locais em diferentes países, os superfãs estão cada vez mais visíveis e levam a repensar o que significa ser um fã hoje.
Onde a palavra “Stan” vem de
A dedicação extrema na cultura dos fãs é frequentemente descrita com o termo “Stan”.
Diz-se que a palavra se origina da canção homônima do rapper americano Eminem, de 2000, sobre um fã obsessivo cuja devoção termina tragicamente.
Eminem disse mais tarde que a história foi inspirada em experiências reais. Hoje, Stan (plural: Stans) entrou na linguagem cotidiana da cultura pop e pode descrever tanto a obsessão doentia quanto o entusiasmo inofensivo.
Os psicólogos chamam esses laços unilaterais de “relações parassociais”, que são conexões emocionais que um fã sente em relação a uma figura pública que não o conhece pessoalmente.
Parasocial foi recentemente nomeado a Palavra do Ano do Cambridge Dictionary.
“A cultura dos fãs é parassocialidade”, diz a psicóloga social Johanna Degen à dpa.
Como em outras áreas da vida, estas relações podem variar em intensidade e tom emocional. O cientista de mídia Holger Schramm diz que existem relacionamentos amigáveis ou românticos, mas também podem ser hostis.
Ser fã é mais que gostar de música
Swiftie Kim Niehaus quer desafiar o estigma de ser fã – em parte porque a experiência a moldou de maneira positiva.
Ela se lembra de ter visto Taylor Swift ao vivo quando era adolescente: “Eu tinha 16 ou 17 anos, era jovem e muito insegura”. Durante o show, Swift disse aos fãs para serem eles mesmos e não deixarem que opiniões de estranhos os definissem. “Isso realmente me tocou”, lembra Niehaus.
A partir desse momento, o fandom se tornou mais do que apenas música. Ela viu outros fãs se divertindo abertamente, sem julgamento, e percebeu que havia encontrado um lugar ao qual pertencia.
Online e offline, ela agora vivencia a cultura dos fãs como uma fonte poderosa de conexão e comunidade. Querendo encontrar outras pessoas que compartilhassem de seu entusiasmo, ela criou contas de fãs nas redes sociais.
Hoje ela alcança mais de 30 mil seguidores no Instagram e 16 mil no TikTok. “Eu nunca esperei isso”, diz ela. “Eu só queria conhecer pessoas que gostassem do que eu gostava, porque não tinha isso no meu dia a dia.”
O que atrai os fãs para as estrelas
O motivo pelo qual as pessoas desenvolvem profunda admiração pelas celebridades varia muito. “Alguns fãs tentam compensar inseguranças ou áreas onde se sentem deficientes”, diz o pesquisador de mídia Schramm.
Outros vêem as estrelas como modelos que os inspiram ou como figuras que fornecem orientação durante fases incertas da vida. Para alguns, o investimento emocional é profundo; para outros, permanece admiração de longe.
No entanto, Schramm observa que a maioria dos fãs não procura preencher uma lacuna pessoal. Em vez disso, são atraídos pelo poderoso sentimento de proximidade emocional que se desenvolve em torno de alguém que alcançou o status de “estrela”.
Essa sensação de intimidade entre fãs e figuras públicas não é nova.
Durante décadas, as revistas para adolescentes criaram uma ilusão de acesso pessoal através de cartazes, entrevistas e reportagens especiais.
Hoje, porém, as plataformas digitais expandiram dramaticamente essas possibilidades. “As redes sociais multiplicam esses efeitos e dão aos usuários uma impressão ainda mais forte de contato direto com celebridades”, diz Schramm.
Quando fandom vai longe demais
Mas esta proximidade digital também tem um lado mais sombrio. A psicóloga social Johanna Degen explica que as interações online combinam necessidades emocionais com interesses comerciais.
“O design dessas plataformas visa criar familiaridade e exclusividade”, afirma. “Isso leva ao apego, à lealdade e ao senso de obrigação, que pode então ser traduzido em cliques, engajamento e compras.”
A influenciadora Marie Joan destacou recentemente como isso pode se espalhar para a vida real. Em um vídeo do YouTube, ela descreveu estranhos beijando-a na rua porque se sentiam conectados a ela por meio de interações online.
“Mas eu não conheço você – por favor, não me beije”, disse ela aos telespectadores.
A intensa devoção dos fãs pode trazer riscos – tanto para as estrelas quanto para as pessoas que as admiram. “Pode ser desconfortável para os influenciadores quando os seguidores confundem os limites”, diz a psicóloga social Johanna Degen.
“Para os fãs, porém, a proximidade parece completamente natural, porque eles passam tanto tempo consumindo o conteúdo do influenciador que sentem que realmente o conhecem.”
Em casos extremos, esse investimento emocional pode aumentar. O jornalista alemão Jens Balzer relatou recentemente que vários escritores que ofereceram críticas negativas ao novo álbum de Taylor Swift foram inundados com ameaças online.
O episódio ilustra como, para alguns fãs, a lealdade passa a ser menos uma questão de música e mais uma questão de identidade. “Quando o seu ídolo é atacado, pode parecer um ataque pessoal”, diz o pesquisador de mídia Holger Schramm.
Kim Niehaus testemunhou esta dinâmica em primeira mão. “Em todas as comunidades de fãs, há pessoas que vão longe demais – que acreditam ter relações pessoais com artistas ou que se endividam para comprar mercadorias”, diz ela.
Ela também vê um duplo padrão na forma como a sociedade vê o fandom obsessivo.
“Um torcedor de futebol que viaja para assistir a todos os jogos é visto como leal e apaixonado”, observa ela. “Mas uma mulher que vai a vários shows de sua artista favorita é muitas vezes julgada como excessiva, emotiva ou irresponsável.”
Espectadores filmam com seus smartphones durante show da cantora Taylor Swift em Gelsenkirchen, Alemanha. Marius Becker/dpa
Uma mulher posa na frente de uma van com um pôster da turnê Eras Tour de Taylor Swift fora do Estádio Nacional na Polônia. Imagens Volha Shukaila/SOPA via ZUMA Press Wire/dpa
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