Na Espanha, a família real respondeu publicamente à morte de Soledad Gallego-Díaz, ex-editora-chefe do EL PAÍS. O Rei Felipe VI e a Rainha Letizia enviaram um telegrama à redação do jornal, destacando o significado desta perda para a comunidade jornalística e os leitores. A mensagem chegou menos de dois dias depois da celebração do 50º aniversário do jornal, o que conferiu particular pungência ao acontecimento.
No telegrama dirigido ao diretor do EL PAÍS, Jan Martínez Ahrens, o rei e a rainha observaram que a ausência de Soledad Gallego-Díaz é sentida não apenas na redação, mas também no público em geral. Segundo eles, ela sempre abordou qualquer assunto sob a ótica dos interesses do cidadão e defendeu de forma consistente os princípios da ética profissional. Foi dada especial ênfase ao facto de Gallego-Díaz ter sido a primeira mulher a liderar o EL PAÍS e ter permanecido comprometida com a ideia de independência jornalística, mesmo sob pressão e tentações de utilizar os meios de comunicação para fins políticos.
No texto do telegrama, o casal real relembrou os encontros com Gallego-Díaz, incluindo a cerimónia do Prémio Cerecedo, há quase vinte anos. Nessa altura, o jornalista sublinhou que informação não é apenas a apresentação precisa dos factos, mas também a sua interpretação competente, que só pode ser fornecida pelo jornalismo profissional. O rei e a rainha destacaram especialmente a sua persistência na defesa da voz da jornalista e a sua preocupação com o futuro da profissão.
A morte de Soledad Gallego-Díaz repercutiu não só entre os seus colegas, mas também entre os leitores, que reconhecem a sua contribuição para o desenvolvimento do jornalismo espanhol. Nos últimos anos, as questões da independência da imprensa e da protecção das fontes de informação tornaram-se repetidamente objecto de debate público. Por exemplo, ocorreu recentemente em Madrid uma discussão sobre a transferência de dados de jornalistas do EL PAÍS, que foi abordada em detalhe no relatório sobre as ações do chefe de gabinete de Ayuso.
A família real concluiu a sua declaração com palavras de apoio à família e colegas de Gallego-Díaz, sublinhando que o seu profissionalismo e postura cívica continuarão a ser um exemplo para as futuras gerações de jornalistas.
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