Scott Simon, da NPR, fala com a cantora e compositora canadense Julianna Riolino sobre seu novo álbum solo auto-lançado, “Echo in the Dust”.
(SOUNDBITE DA MÚSICA DE JULIANNA RIOLINO, “SEED”)
SCOTT SIMON, ANFITRIÃO:
Julianna Riolino tem olhar de poetisa e espírito de mestre de cerimônias. Seu segundo álbum, “Echo In The Dust”, vai do doo-wop ao country rock para mostrar como um coração e uma alma podem mudar.
(SOUNDBITE DA MÚSICA, “SEMENTE”)
JULIANNA RIOLINO: (cantando) Acho que já tomei a decisão. Quando olho nos seus olhos, ooh, não vejo nada…
SIMON: E no centro do álbum está seu próprio canto e violão. A edição de luxo saiu esta semana. Julianna Riolino se junta a nós. Muito obrigado por estar conosco.
RIOLINO: Obrigado por me receber, Scott.
SIMON: E ouvimos o nome do álbum em uma música chamada “Seed”. O que isso significa? Qual é o significado aí?
RIOLINO: Eu escrevi “Seed” depois que me separei de outra banda na esperança de seguir meu próprio caminho e trilhar meu próprio caminho. E…
SIMON: Você estava na banda chamada Daniel Romano’s The Outfit (ph), ou apenas The Outfit agora.
RIOLINO: Sim, foi com Daniel Romano. E eu escrevi a música de uma forma que me colocasse em primeiro lugar e ficasse com meus próprios pés. E eu não tinha um nome para registrar. E muitas vezes quando estou escrevendo, é esse tipo de linha de pensamento subconsciente. Eu apenas permito que minha intuição assuma o controle. E a frase, ecoando na poeira, veio até mim, e eu pensei que soava bem e também meio que se explicou para mim ao longo do processo e meio que continuou ocorrendo, e parecia certo.
SIMON: Deixe-me perguntar sobre alguns dos instrumentos que ouvimos – pedal steel guitar, saxofones. Isso é um Mellotron?
RIOLINO: Sim.
(SOUNDBITE DA MÚSICA, “DEIXE-ME SONHAR”)
RIOLINO: (cantando) Um amante, um mentiroso, um tolo. Uma fera, três cabeças.
Eu adoro um Mellotron.
SIMON: Ah, diga-nos por quê.
RIOLINO: Porque tem um tom muito analógico, sonoramente, e me lembra muitas músicas que ouço que são dos anos 60, muitas músicas dos Beatles, algo reconfortante e quase onírico. Então, qualquer chance de colocar Mellotron em alguma coisa, eu vou aproveitar.
SIMON: Deixe-me perguntar sobre uma música como “Smile”.
RIOLINO: Sim.
(SOUNDBITE DA MÚSICA DE JULIANNA RIOLINO, “SMILE”)
SIMON: Como é escrever sobre desgosto?
RIOLINO: Acho que é uma segunda natureza. E eu sinto que é um sentimento tão universal. É engraçado. Estamos no penúltimo show e todas as noites, quando apresento essa música, eu pergunto: há algum amante na plateia? Há – alguém que teve o coração partido na plateia? E, você sabe, nove em cada dez vezes, a maioria da sala levanta as mãos.
(SOM DA MÚSICA, “SORRISO”)
RIOLINO: (cantando) Mas nunca fez sentido.
SIMON: Tem uma fila…
(SOM DA MÚSICA, “SORRISO”)
RIOLINO: (cantando) Quando você olha para o amor, você só olha para você. Bebê…
SIMÃO: Como?
RIOLINO: Eu meio que penso muito na música “You’re So Vain”.
SIMON: O padrão Carly Simon. Sim.
RIOLINO: Sim. Quer dizer, escrevi essa frase como uma forma de falar sobre como é lamentável quando uma pessoa não consegue sair de si mesma, desperdiçando algo que é lindo, que é o amor.
(SOM DA MÚSICA, “SORRISO”)
RIOLINO: (cantando) Ei. Pegue as peças. Não os jogue fora.
SIMON: Outra frase que me impressionou – “On A Bluebird’s Wing”, a música tem a frase, crescer é ser o fruto de nossos pontos mais baixos.
(SONDA DA MÚSICA DE JULIANNA RIOLINO, “ON A BLUEBIRD’S WING”)
SIMON: O que estamos ouvindo aí?
RIOLINO: Não podemos nos tornar versões melhores de nós mesmos sem lidar com a dor ou olhar no espelho para alguns aspectos de nosso caráter que talvez precisem de melhorias. Se você for honesto consigo mesmo, no final das contas, será capaz de se tornar uma versão melhor de si mesmo. E isso é o ponto crucial de todo esse disco, sabe?
(SOUNDBITE DA MÚSICA, “NA ASA DE UM PÁSSARO AZUL”)
RIOLINO: (cantando) Crescer é ser fruto dos nossos mais baixos.
SIMON: Qual é a sensação para você no palco?
RIOLINO: Atuar é a melhor parte desse trabalho. É apenas cerca de uma hora da minha noite. E é o que mais espero. Eu me sinto muito sortudo e grato por estar cercado por músicos tão talentosos e por explorar essas músicas todas as noites e me conectar com as pessoas que vêm ao show e ouvi-las cantar minhas músicas. Eu adoro atuar.
SIMON: O estilo de algum artista influencia você particularmente?
RIOLINO: Cresci muito ouvindo e assistindo The Who. Lembro-me do momento em que vi “Live At The Isle Of Wight”. Fiquei simplesmente pasmo. E eu diria artistas como Loretta Lynn ou Dolly Parton, Linda Ronstadt, Tom Petty. Às vezes recebo algumas comparações malucas. Outra noite, alguém me comparou a Alice Cooper.
SIMÃO: Ah.
RIOLINO: O que achei hilário.
(SONDA DA MÚSICA DE JULIANNA RIOLINO, “SEJA BOM COM SUA MÃE”)
RIOLINO: (cantando) São Pedro, abra o olhar.
SIMON: Lemos que você cresceu no sul de Ontário industrial.
RIOLINO: Sim.
SIMON: E comecei a ter aulas de violão em uma loja de música local. Quantos anos você tinha?
RIOLINO: Quero dizer que tinha talvez 11, 11 ou 12 anos. Então, nasci e cresci em Welland, Ontário, Canadá, que é, tipo, uma cidade siderúrgica de operários. Tive aulas de violão na Central Music. Essa é, você sabe, a única loja de música da cidade.
(SONDA DA MÚSICA, “SEJA BOM PARA SUA MÃE”)
RIOLINO: (cantando) Então se cuide e fique bem. Eu sei que você vai ficar bem.
SIMON: O que a música lhe ofereceu? O que isso significou para você quando tinha 11 e 12 anos?
RIOLINO: Eu estava sempre cantando. Você poderia perguntar aos meus pais. Tipo, desde muito, muito, muito pequeno, eu estava sempre cantarolando ou cantando coisas ou apenas lembrando das letras das músicas o tempo todo. Era o tecido conjuntivo que eu precisava para tirar as melodias da minha cabeça. Sempre foi apenas um chamado. Sabe, eu me lembro de ouvir muito Sheryl Crow, e assim que vi outra mulher tocando violão e cantando, foi exatamente o tipo de representação que eu precisava para entender que eu também poderia fazer isso. E eu simplesmente segui meu coração direto para a Central Music em Welland.
SIMÃO: (Risos).
RIOLINO: (Risos).
(SOUNDBITE DA MÚSICA, “O MENOS EU SEI”)
RIOLINO: (cantando) Se a distância faz o coração ficar mais afetuoso…
SIMÃO: Julianna Riolino. A versão deluxe de seu álbum “Echo In The Dust” já foi lançada. Muito obrigado por estar conosco.
RIOLINO: Obrigado por me receber, Scott.
(SOUNDBITE DA MÚSICA, “O MENOS EU SEI”)
RIOLINO: Quanto mais te vejo, menos quero, menos quero.
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