As estrelas chegaram às passarelas de Paris, mas a verdadeira tendência do outono era vestir-se para tempos difíceis – e para a vida real

PARIS – As celebridades ficaram em primeiro lugar, como sempre fazem no Pistas de Paris.

Depois Oprah Winfrey roubou a cena no trecho de abertura da semana de nove dias, Noemi Watts e Kai Schreiber estiveram na Balenciaga. Rooney MaraDiane Kruger, Alexa Chung, Elizabeth Olsen e Yseult apareceram na Givenchy.

Sarah Paulson e Tracee Ellis Ross assistiram Celine. Chappel Roan foi em Vivienne Westwood e depois em McQueen, onde Myha’la e Sophie Thatcher também estiveram. Chanel ainda estava por vir na segunda-feira, e Louis Vuitton encerraria a temporada na terça-feira.

Mas esta semana foi mais do que a primeira fila.

Semana de Moda de Paris As maiores casas do mundo estão em modo de reinicialização, e os designers que as lideram estão tentando responder à mesma pergunta difícil: como vestir as pessoas quando o mundo parece escuro, barulhento e instável?

Três tendências se destacaram

Primeiro vieram as roupas feitas para proteger: golas altas, casacos enrolados e alfaiataria forte.

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Depois veio a silhueta: uma linha mais nítida, à medida que os designers se afastavam de anos de roupas oversized e voltavam à forma.

A terceira tendência foi o glamour que parecia menos polido. O cabelo estava mais bagunçado, a maquiagem borrada, as roupas pareciam mais ásperas e o clima mais sombrio. O luxo não parecia mais isolado da vida real.

Armadura para tempos de ansiedade

Balenciaga liderou a primeira tendência.

Em seu segundo desfile, Pierpaolo Piccioli construiu a coleção em torno da escuridão e da busca pela luz, trabalhando com o criador de “Euphoria”, Sam Levinson, em um cenário vinculado ao retorno da série.

O clima empurrou a coleção para o desconforto.

Na passarela, isso se transformou em bombardeiros de balão, costas casulos, golas de retrato e decotes emoldurados no rosto que faziam o corpo parecer cauteloso.

Até os vestidos drapeados mais suaves mantinham esse clima: eram roupas para um mundo difícil.

A Givenchy seguiu um caminho semelhante e tornou-o mais pessoal. O terceiro show de Sarah Burton pareceu aquele em que seu ponto de vista funcionou.

Ela não propunha uma mulher ideal, mas muitas mulheres e muitas maneiras de ser forte, com alfaiataria exata, casacos fortes, quadris peplum, veludo, shearling e looks de noite baseados na vida real.

A coleção de Burton era sobre como as mulheres se recompõem no mundo em que vivem. Essa ideia deu força às roupas. Eles foram polidos, mas ainda conectados a isso.

Junya Watanabe levou a ideia mais longe, transformando luvas, equipamentos para motociclistas e cobertores de emergência em formas de alta costura.

McQueen fez o mesmo, com Seán McGirr falando sobre paranóia, perfeição e a tensão de sempre ser visto. Suas calças de couro cortadas, minis de cintura baixa e texturas semelhantes a cota de malha sugeriam exposição, mas também defesa.

A nova nitidez

A segunda grande tendência foi a silhueta.

Depois de anos de volume, desleixo e facilidade exagerada, Paris está voltando para o corpo.

Celine fez essa mudança com mais clareza. A terceira saída de Michael Rider foi como um designer se adaptando à sua ideia.

Ele queria roupas para morar. Seus casacos e ternos ficavam mais próximos do torso. Suas calças eram largas em flares curtos. Sua roupa masculina vinha em sobretudos longos e estreitos que pareciam engomados, em vez de inflados.

Rider também sugeriu que o longo domínio de curativos grandes pode estar quebrando.

Sua versão de nitidez não era rígida nem nostálgica. Tinha facilidade, mas também tinha caráter.

As roupas clássicas voltaram com um pouco de ousadia: detalhes menores, proporções mais estranhas, linha mais exata.

Isso fez de Celine uma clara criadora de humor.

As passarelas de Paris buscavam presença, mas não mais pelo tamanho.

Você também pode ver essa mudança em outros lugares. Burton relaxou a rígida ampulheta que ela estabeleceu anteriormente na Givenchy, mas não abriu mão da forma.

Piccioli usou golas e costas tipo casulo para emoldurar a figura, em vez de enterrá-la. Os minis de cintura baixa e as botas elegantes de McQueen apontavam na mesma direção.

A linha da temporada ficou mais forte, mais limpa e mais próxima do corpo. Depois de anos de volume, Paris pedia algo mais exposto. Ficar de pé. Seja visto. Tome forma.

Beleza com as rachaduras deixadas

A terceira tendência foi o glamour menos polido.

Os designers ainda queriam beleza, mas também queriam fricção.

Em Westwood, Andreas Kronthaler encenou tristeza, erotismo e desordem ao mesmo tempo, falando abertamente sobre a perda enquanto insistia no prazer e na diversão. Na passarela, isso virou costuras ásperas, batom borrado, códigos de lingerie, chapéus estranhos e uma noiva inacabada. Parecia bagunçado, triste, sexy e vivo.

Esse apetite pela imperfeição percorreu a semana.

Rider evocou a vida interior mais confusa sob roupas bonitas.

Piccioli usou a sombra para manter a escuridão por perto.

Burton encheu a Givenchy com personagens femininas distintas, em vez de um ideal polido.

Paris rejeitou repetidamente o luxo estéril. No seu conjunto, os programas mais fortes sugeriram uma semana menos interessada na fuga do que na resiliência. Os melhores designers não estavam tentando fazer o mundo desaparecer.

Eles estavam tentando armar as mulheres para isso.

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