CARLOTA CHAMANDO OS BRASILEIROS DE “SELVAGENS” “Que horror. Antes Luanda, Moçambique ou Timor.” “… Vivi treze anos no escuro, só vendo negros…” Essas frases resumem bem a relação de Carlota Joaquina com o Brasil. Espanhola, criada na corte europeia, ela nunca aceitou viver numa colônia tropical que considerava atrasada, quente, caótica e socialmente inferior. O Brasil para Carlota era um exílio forçado, um castigo, algo a ser suportado com desprezo e ressentimento. Ela odiava o clima, a paisagem humana, os costumes e fazia questão de deixar isso claro em atitudes e comentários que atravessaram o tempo. Em contraste direto estava seu marido, dom João. Longe de ser brilhante, mas profundamente adaptável, ele se sentiu confortável aqui. Gostava da comida, do ritmo, da vida menos rígida da colônia e enxergou no Brasil um lugar possível de governar e prosperar. Onde Carlota via degradação, dom João via oportunidade e refúgio. Essa diferença explica muito do clima tenso da corte no Rio de Janeiro. Enquanto o rei se enraizava, Carlota só pensava em ir embora, levando consigo um desprezo.
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