TEERÃ, 6 de julho – Com música eletrônica no máximo e comida e bebidas gratuitas oferecidas em centenas de barracas, a área ao redor das cerimônias fúnebres do falecido líder supremo iraniano, Ali Khamenei, em Teerã, no domingo, parecia um festival de verão.
Voluntários forneceram suco de frutas e água sob um sol escaldante no centro da capital, no segundo dia de cerimônias em homenagem a Khamenei e quatro membros de sua família mortos em 28 de fevereiro em ataques aéreos EUA-Israel.
Em uma barraca, dezenas de mulheres com xadores pretos esperavam na fila enquanto três adolescentes preparavam bandejas de batatas fritas atrás do balcão. A exposição não tinha preços nem menu, apenas retratos de alguns dos “mártires” da república islâmica.
A atmosfera era barulhenta, com música eletrônica misturada com discursos de Khamenei e cânticos religiosos elogiando o Imam Hussein, um reverenciado líder xiita.
O ambiente animado contrastou com o caráter solene do complexo religioso Grand Mosalla, nas proximidades, onde os enlutados prestam homenagem ao caixão de Khamenei.
Vestidos de preto e agitando bandeiras vermelho-sangue simbolizando vingança e justiça, alguns deles bateram no peito em sinal de pesar enquanto gritos de “morte à América” e “vingança, vingança” ecoavam pelo local.
As autoridades da república islâmica declararam o domingo e a segunda-feira feriados e instaram os iranianos a comparecerem em massa às cerimónias fúnebres de seis dias.
O fim de semana no Irã vai de quinta a sexta-feira.
Pessoas são borrifadas com água para se refrescarem durante o calor enquanto fazem fila para comprar comida a caminho do Grand Mosalla, em Teerã, em 5 de julho de 2026, para as cerimônias fúnebres do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. -Foto AFP
‘Tome uma bebida’
Desde sábado, primeiro dia da homenagem pública ao falecido aiatolá, “distribuímos cerca de 15 mil ovos, além de batatas, chá e bebidas”, disse à AFP o voluntário Said Rezai Manesh, de 54 anos.
“Está quente e precisamos cuidar dos peregrinos aqui”, acrescentou o morador de Teerã.
Outro voluntário ofereceu aos transeuntes melancia fresca e suco de limão em frente a cartazes que mostravam Khamenei e seu filho Mojtaba, que foi nomeado líder supremo logo após o assassinato de seu pai, mas que ainda não apareceu em público.
Pedidos para “tomar uma bebida” soaram em um alto-falante, enquanto o mercúrio subia acima de 35ºC.
Apesar das rígidas regras de vestimenta da república islâmica, algumas das mulheres que faziam fila nas barracas estavam sem véu ou usando roupas leves.
Uma garota que estava perto de policiais e Guardas Revolucionários usava uma camisa colorida e um boné de beisebol virado para trás, com as tranças visíveis.
Majid Bastak sentou-se em uma cadeira e borrifou água nos transeuntes para esfriá-los – para a alegria das crianças, que estavam se divertindo muito e implorando para serem encharcadas.
Vestido com camisa havaiana e turbante preto para proteção contra o calor, Bastak disse que se ofereceu como voluntário “sempre que necessário”.
“Eu me considero um soldado da pátria.” -AFP
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