Hora da história. Uma noite, provavelmente em 2002, fui ver a banda punk de Minneapolis, Dillinger Four, no Ottobar, em Baltimore. Isso é um capricho total. Eu vou sozinho. Não tenho mais nada para fazer naquela noite – acho que é segunda ou terça – e moro a alguns quarteirões do local. Não conheço a música da banda, mas tenho uma vaga sensação de que elas deveriam ser boas. Na verdade, eles são muito bons.
O vocalista Erik Funk está bêbado pra caralho, ou pelo menos é essa a sensação que tenho. Provavelmente também estou bêbado, então posso estar entendendo toda a história errada, mas esta é a melhor versão dela de que me lembro. A certa altura, Funk faz ao público de Baltimore um discurso incrível sobre a grandeza de Johnny Unitas. Então, quando o show está chegando ao fim, ele anuncia que eles vão ter um concurso de “dança como um vagabundo bêbado”, ou palavras nesse sentido. Há uma varanda ao lado do palco, então ele pede para um cara na varanda julgar. Eu estou tipo, Bem, merda, eu posso fazer isso.
A maior parte do público encara esta competição como um desafio para fazer mosh com mais força. Mas eu não. Eu chego bem no meio do poço e faço aquela coisa estranha de embaralhar o Popeye. Sempre que alguém bate em mim, eu me afasto e volto a embaralhar. A música termina e Funk pede o veredicto ao cara na varanda. O cara anuncia que o vencedor é o cara alto. Esse sou eu. Eu sou o cara alto. Eu ganho.
Funk desce do palco e corre até mim. Ele poderia me dar um grande abraço de urso? Essa parte é confusa. Ele disse: “Suba no palco! Vamos cantar um dueto!” Eu fico tipo, “Eu não conheço nenhuma música sua, cara!” Ele fica tipo, “Não importa!” Mas acho que está quase fechando o Ottobar, ou talvez a equipe esteja tipo “isso está uma bagunça, é hora de acabar com isso”. As luzes se acendem e agradeço silenciosamente a todas as divindades relevantes. Funk é tipo, “Ah, cara!” E então ele me leva até a mesa de mercadorias.
Ele disse: “Você não conhece nossa música, então aqui está a boa!” Me entrega um CD. “Aqui está aquele que é uma merda!” Me entrega uma cópia de outro CD, aquele que acabou de sair. “Aqui está aquele da loja de discos usados!” Me entrega um segundo cópia desse CD. Me diz para pegar uma camisa da parede também. E então ele me manda embora. Nunca mais interajo com a banda, mas venho contando essa história há décadas, sempre que surge o assunto D4.
Esse assunto está no ar hoje porque tem novo Dillinger Four! A banda é uma instituição querida em Minneapolis, onde Funk abriu o extinto local conhecido como Triple Rock Social Club. Hoje em dia, eles são semiativos. Eles fazem shows ocasionais, especialmente em Minneapolis, mas seu último álbum de estúdio foi de 2008. Guerra civil. Houve muitas compilações, mas eles não lançam nenhuma música há muito tempo. Até agora.
Hoje, Dillinger Four retorna com um novo single chamado “Don’t Worry Be Happy”. Não é um Capa de Bobby McFerrin. É demais. Em seu e-mail de alerta do Bandcamp, a banda diz: “Feliz Dia da Mentira! Nossa primeira faixa nova em 18 anos já foi lançada! Ou é? Isso é.” Com base em pesquisas na internet, eles podem ter lançado essa música em 2010, sob o nome de Holy Shit!, em um divisão 7″ com sua banda de pragas. Mas não consigo encontrar essa música na internet, então ela é nova para mim e provavelmente também para você. Tudo isso pode ser algum tipo de pegadinha do Primeiro de Abril, eu acho. Mas a música é muito boa e eu também queria uma desculpa para contar essa história. Ouça abaixo.
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