Enrique Bunbury mais uma vez abraçou a música de raiz e o folclore latino-americano em seu último álbum, De Un Siglo Anterior (De um Século Atrás), com o qual o músico espanhol fecha uma fase exploratória antes de regressar ao rock, género que o elevou a uma das maiores figuras do mundo de língua espanhola.
“Esta é a minha fase mais tradicional e inspirada no folk”, diz Bunbury Outdoor em espanhol na Cidade do México, onde discutiu o novo LP, lançado nas plataformas digitais na semana passada.
Lançado pela Warner Music Spain, o álbum continua a exploração de ritmos tradicionais latino-americanos como o bolero e o tango, que ele introduziu um ano antes. Contas Pendentes. Desta vez, porém, a letra ganha um tom mais introspectivo, aprofundando-se nas mudanças que acontecem no mundo neste novo século, na era das redes sociais.
“Esses dois álbuns fazem parte de uma época ou fase conjunta”, explica. “Acho que manter vivos esses gêneros tradicionais, que são atemporais em si, é algo lindo quando você olha o cancioneiro já existente.”
Gravado no Desierto Casa/Estudio no Desierto de los Leones na Cidade do México De Un Siglo Anterior traz dez canções onde Bunbury traz o folclore em diferentes formas, como zamba, ranchera, tango, son e ritmos peruanos. As faixas incluem “Un Brindis al Sol”, “La Voz”, “La Cima”, “Peor Que Como Estamos – Es Difícil Ya Que Estemos” e a faixa-título, “De Un Siglo Anterior”.
Para o músico, uma das canções mais simbólicas do LP é “La Voz”, um bolero jazzístico onde o ex-líder do agora extinto grupo Héroes del Silencio reflete sobre os problemas nas cordas vocais que enfrentou em 2022, causados pela intolerância ao glicol, principal componente do fumo artificial utilizado nos concertos. “Achei que não conseguiria mais cantar”, lembra ele. “Essa música, por um lado, faz referência àquele momento, à perda desse poder de comunicação, e também fala indiretamente sobre amigos perdidos.”
Na mesma linha introspectiva, a canção “De Un Siglo Anterior” examina nostalgicamente como “às vezes sentimos falta do passado e do que consideramos uma perda quando se trata da evolução tecnológica dos tempos. Para onde nos levam este novo século e milénio, e que coisas podemos recuperar do século anterior”. Outras faixas do álbum incluem “En El Arcén”, “Zamba Para Olvidar” e “La Cima”, onde Bunbury compara a fama e o sucesso ao Everest e outras grandes montanhas.
Para este projeto o artista reuniu a mesma equipe do Contas Pendentesincluindo a banda de músicos com os mexicanos Luri Molina e o percussionista Johnny Molina, a equipe técnica e até o cozinheiro. “Nós realmente gostamos da experiência humana de estarmos juntos, gravarmos, nos conhecermos e conversarmos”, diz o cantor, compositor e produtor. “Então, quando terminei o último álbum, pensei: ‘Gostaria de encontrar outro projeto para trabalhar com esta equipe.’ Comecei a escrever algumas músicas para esse álbum e tudo se encaixou muito rapidamente.”
Com este novo LP em mãos, Bunbury embarcará em uma turnê pela América Latina, EUA e Espanha. Intitulada Nuevas Mutaciones (Novas Mutações), a turnê começará em Puebla de Zaragoza, no México, no dia 10 de outubro, e terminará em sua cidade natal, Zaragoza, na Espanha, no dia 12 de dezembro. Na Cidade do México, a turnê marcará seu retorno ao icônico Auditório Nacional depois de quase uma década, com shows agendados para 12, 15, 17 e 19 de outubro.
Embora tenha tocado em grandes palcos do México – incluindo o Zócalo durante um evento de apoio às vítimas do terremoto de 2017 que atingiu o centro do México – Bunbury não perdeu a esperança de retornar àquele local icônico e majestoso para seu próprio show. “Eu gostaria de fazer um solo e que fosse gratuito”, ele expressou. “Isso seria incrível.”
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