#história #curiosidades #Inglaterra
No século XVI, em plena era das rainhas e castelos, um sorriso branco e brilhante não era símbolo de beleza.
Na verdade, o ideal era justamente o oposto.
E tudo começou com uma mulher que mudava o rumo da história — a rainha Elizabeth I da Inglaterra.
Elizabeth era conhecida por sua inteligência, poder e imponência.
Mas também por um vício que lhe custaria o sorriso: doces.
Ela amava açúcar — um luxo caríssimo na época, acessível apenas à nobreza.
Balas, tortas, geleias e frutas cristalizadas faziam parte de seu dia a dia, até que, com o tempo, seus dentes começaram a escurecer e apodrecer.
Naquele tempo, ninguém conhecia o que chamamos hoje de odontologia.
E o açúcar, recém-chegado das colônias, era considerado um símbolo de riqueza e status.
Ou seja: quanto mais açúcar você comia, mais rica parecia ser.
Assim, quando os dentes da rainha começaram a escurecer, as damas da corte acharam que aquilo era o auge da elegância.
Afinal, se a própria monarca tinha dentes pretos, então isso só podia significar poder, luxo e prestígio.
Em pouco tempo, a corte inglesa foi tomada por uma moda inusitada: mulheres escurecendo propositalmente os dentes, usando pó de carvão, ervas e até substâncias metálicas para imitar o “sorriso real”.
Ter dentes brancos, ironicamente, passou a ser sinal de pobreza, já que apenas os mais humildes não tinham acesso ao açúcar.
Essa tendência curiosa durou até o avanço da medicina e da higiene dental — quando o brilho branco voltou a ser valorizado.
Mas, por alguns anos, o “sorriso negro” reinou na Inglaterra, literalmente.
Hoje, é quase impossível imaginar alguém tentando pintar os dentes de preto para parecer mais nobre.
Mas a história da rainha Elizabeth I nos lembra de algo muito humano:
As modas mais estranhas, muitas vezes, nascem da admiração cega por quem está no poder.
E talvez, daqui a alguns séculos, as pessoas também olhem para os nossos costumes e riam das nossas vaidades modernas — assim como nós sorrimos (com dentes brancos, felizmente) ao lembrar da época em que o preto era o novo branco.
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