Esse efeito de câmara de eco também não se aplica apenas à cultura pop; está chegando à política também. Quando você nunca é exposto a ideias ou ideologias opostas, perde o contato com o que realmente está acontecendo no cenário do mundo real.
As pessoas acabam surpreendidas por perspectivas que nem sequer sabiam que existiam, e quanto mais vivemos dentro destas bolhas isoladas, mais egocêntrica e individualista a humanidade colectiva se torna, porque todos estão tão consumidos pela sua própria versão curada da realidade.
E essa é a principal diferença entre aquela época e agora: costumávamos compartilhar uma experiência cultural coletiva, mas hoje todos vivemos em realidades personalizadas.
É por isso que nunca haverá outro Michael Jackson, Madonna ou Beatles; a própria fama foi democratizada. O holofote que antes brilhava sobre alguns poucos agora brilha em todos os lugares, refratado em um milhão de pequenos feixes de atenção.
No passado, ser uma celebridade significava ser uma experiência partilhada; agora, significa ser personalizado. Essa mudança não torna a fama moderna menor, apenas diferente.
Já não adoramos no altar de alguns deuses culturais; percorremos um feed infinito deles. E ao fazê-lo, trocámos a histeria da monocultura pela intimidade do algoritmo.
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