🛳️ A chegada da família real portuguesa a Salvador, em janeiro de 1808, marcou um ponto de inflexão na história do Brasil. Conforme narrado por Lilia Schwarcz e Heloisa Starling em Brasil: uma biografia, o desembarque foi cercado por pompa e circunstância: sinos repicando, canhões saudando e uma população curiosa e, em parte, deslumbrada com a presença da corte. Salvador, então capital da colônia, foi o primeiro palco da monarquia transplantada — uma situação inédita na história ocidental.
📜 Durante os 35 dias em que Dom João permaneceu na cidade, ele assinou a Carta de Abertura dos Portos às Nações Amigas, rompendo com o Pacto Colonial e permitindo o comércio com países além de Portugal. Essa medida, pressionada pelos interesses britânicos, foi recebida com entusiasmo por comerciantes locais, que vislumbravam novas oportunidades econômicas. Para a população em geral, no entanto, a presença da corte gerava sentimentos ambíguos: admiração pela pompa, mas também estranhamento diante dos costumes aristocráticos e da distância social imposta pela etiqueta palaciana.
🏛️ A cidade passou a receber estrangeiros, especialmente ingleses, o que alterou profundamente seus hábitos, sua arquitetura e sua dinâmica social. A fundação da Escola Médico-Cirúrgica da Bahia, também promovida por Dom João, foi um dos primeiros passos rumo à institucionalização de saberes científicos no Brasil.
📚 Referência: SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
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