Em vez disso, ele se vê menos como uma figura central e mais como um conector. “Prefiro me ver como uma ponte”, diz ele. “Muito do que faço é realmente conectar mundos diferentes: China e o cenário internacional, artistas consagrados e talentos emergentes, música e cultura, criatividade e negócios.”
Para ZHANG YE, o maior problema é que o público global ainda não entende a situação atual da música eletrônica chinesa. “Há uma energia criativa muito crua no cenário chinês neste momento”, diz ele. “A cena eletrônica da China ainda é relativamente jovem e eu realmente acho que isso é uma vantagem. Como ainda não está presa a tradições rígidas de gênero, há uma enorme quantidade de experimentação acontecendo agora.”
Ele aponta para uma geração mais jovem de produtores chineses que misturam cultura da Internet, narrativas emocionais, referências pop e ideias sonoras não convencionais em música electrónica a um ritmo rápido.
“O próximo passo para a música eletrônica chinesa não é apenas ‘tornar-se global’”, diz ele. “Trata-se de construir uma verdadeira identidade artística no cenário global, não através da estética cliché do encontro do Oriente com o Ocidente e não da cópia de fórmulas ocidentais existentes, mas da criação de um som que pareça genuinamente contemporâneo, pessoal e que reflita esta geração de criadores chineses.”
Essa evolução, acredita ele, acelerou dramaticamente na última década. “Se eu olhar para a música eletrônica chinesa há dez anos, diria que esse período foi realmente sobre a construção de infraestrutura”, explica ele. “As palavras-chave naquela época eram escala e espetáculo. Quedas maiores, palcos maiores, energia maior.”
Mas com o tempo, a cena começou a evoluir além da pura funcionalidade do festival. “As pessoas começaram a prestar mais atenção ao design de som, aos sistemas visuais, à construção do mundo, à linguagem cênica e até mesmo à personalidade e à perspectiva emocional do artista”, diz ele. “Acho que a música eletrônica chinesa está evoluindo lentamente de música funcional para música cultural.”
Ele acredita que os artistas chineses mais jovens também estão a abordar a identidade global de forma diferente das gerações anteriores. “No passado, muitos artistas chineses acreditavam instintivamente que ser ‘internacional’ significava soar ocidental”, diz ele. “Mas agora, cada vez mais jovens produtores estão percebendo que o trabalho mais global é muitas vezes o mais pessoal e o mais enraizado na sua própria perspectiva.”
Essa filosofia informa diretamente sua própria música. “Acho que a música mais poderosa sempre contém duas coisas ao mesmo tempo”, diz ele. “Parece profundamente pessoal, mas também parece universal.”
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