Quando penso na antiga Bengaluru, vejo uma imagem: Loy Machado entrando e saindo do Cubbon Park com um violão e alguns amigos. Era assim que a música vivia naquela época – não apenas nos palcos, mas nos parques, nos coretos e na vida cotidiana. Domingos significavam música, as pedras atrás da Rainha Vitória, às vezes um coreto. As pessoas se reuniram não para espetáculo, mas para conexão. A música era como comida – tinha que ser instantânea, ao vivo. Até a música clássica só se revelou plenamente no momento. Cresci na década de 1970, uma época moldada pela espera. Novas músicas foram antecipadas, discutidas, compartilhadas. Ouvir não era um ruído de fundo; foi participação. As noites também foram intensas. Lembro-me dos shows que duravam a noite toda em 1976 – bandas tocando até de manhã, pessoas dançando até as três e depois voltando para casa porque não havia transporte noturno. Bengaluru era uma pequena vila grande, mas sua música viajava longe. Nada capta melhor esse espírito do que o concerto dos Rolling Stones aqui em 2003. Vinte e cinco mil pessoas compareceram. Então veio a chuva – implacável. Mas todo mundo dançou. Até Keith Richards e Mick Jagger ficaram encharcados no final. Naquela noite, a cidade ficou presente, junta, ouvindo. Hoje, algo mudou. Não talento – atenção. Os telefones atrapalham. As pessoas estão fisicamente lá, mentalmente em outro lugar. Quando isso acontece, o circuito não é concluído. A música precisa de um ouvinte, mesmo que seja apenas um. No momento, há falta de público. Parques que antes hospedavam sessões de jam agora permitem pouco além de passeios de caminhada. Mesmo assim, todos os domingos de manhã em Sankey Tank, alguns de nós nos reunimos para cantar. O grupo não cresceu, mas a intenção permanece – a música como um ato compartilhado, não como conteúdo. Era uma vez esta cidade que sabia ouvir. Às vezes, até dançava na chuva para provar isso.
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