Quando Mandy Moore e Lupita Nyong’o chegaram a Washington, DC, para defender um maior investimento na saúde das mulheres, trouxeram o poder das estrelas para uma questão que há muito é esquecida. Mas embora a atenção das celebridades ajude a colocar a fertilidade e os cuidados reprodutivos nas manchetes, um ex-executivo de saúde e um especialista em fertilização in vitro [IVF] a própria paciente, acredita que o debate nacional ainda perde o ponto mais profundo.
Meg Riveraex-presidente de mercado dos EUA na Organon, uma empresa global de saúde feminina, passou anos supervisionando os negócios de fertilidade da empresa e trabalhando diretamente com clínicas, médicos e legisladores. Ela também passou três anos lidando sozinha com os custos emocionais e financeiros dos tratamentos de fertilidade, passando por sete rodadas de fertilização in vitro antes de dar as boas-vindas à filha no ano passado.
Essa lente dupla, membro da política e paciente, dá a Rivera uma rara clareza sobre o que este momento realmente significa para os milhões de famílias que lutam para construir o seu.
Apesar das manchetes, o anúncio da fertilização in vitro na Casa Branca não exigia cobertura. “O foco estava na acessibilidade dos medicamentos, que é apenas uma parte dos custos associados ao tratamento de fertilidade”, diz Rivera. “Um medicamento será agora oferecido através do TrumpRx, mas já existem descontos semelhantes. Mesmo a maioria dos programas de seguros governamentais, desde o Medicaid até aos planos para funcionários federais, ainda excluem totalmente os benefícios de fertilidade. Com apenas um em cada quatro grandes empregadores a cobrir a fertilização in vitro, é um sinal bem-intencionado, não uma mudança sistémica.”
A realidade, explica Rivera, é que o acesso à fertilização in vitro nos EUA ainda é determinado mais pelo privilégio do que pela necessidade médica.
“O acesso à fertilização in vitro na América ainda depende do seu código postal, do seu empregador, da sua faixa de impostos e, muitas vezes, da sua estrutura familiar, mas não da sua necessidade médica”, diz ela. “Quando você leva em consideração medicamentos e testes genéticos, um único ciclo pode exceder US$ 30 mil, e a maioria dos pacientes precisa de mais de um. O problema não é a ciência. É o sistema que condiciona a esperança.”
A decisão da Casa Branca de tornar um medicamento para a fertilidade mais acessível pode aliviar os custos para um pequeno grupo de pacientes, mas Rivera diz que o verdadeiro progresso exigirá uma reimaginação da forma como os cuidados reprodutivos são tratados nos sistemas de seguros públicos e privados.
“O verdadeiro progresso significa passar de gestos simbólicos para uma mudança sistémica, uma cobertura consistente e acessível, apólices de seguro modernizadas e definições inclusivas de quem merece acesso aos cuidados”, afirma ela. “A oportunidade de construir uma família não deveria depender de onde você mora, para quem você trabalha ou de como sua família é definida.”
À medida que legisladores, celebridades e os holofotes do público voltam a sua atenção para a saúde das mulheres, a voz de Rivera corta o ruído com perícia e empatia. Para ela, o próximo passo não consiste em mais um comunicado de imprensa ou promessa – trata-se de transformar um sistema que muitas vezes transforma a esperança num privilégio.
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