Hyderabad:Membros do Comitê de Ação Conjunta de Organizações de Mulheres e Transgêneros (JAC) disseram que o abuso sexual de estrelas de cinema fala menos sobre o traje das mulheres e mais sobre como os homens se comportam.
Expressando preocupação com os incidentes de abuso sexual por parte da multidão durante os eventos de pré-lançamento de filmes, o comité afirmou que a concentração no vestuário das mulheres afasta a responsabilidade dos perpetradores e coloca o fardo da violência nas vítimas.
“Acusar as vítimas dá passe livre aos molestadores e estupradores, em vez de responsabilizar os perpetradores”, afirma o comunicado, acrescentando que tais atitudes reforçam a cultura do estupro.
A comissão salientou que questões como a razão pela qual uma mulher se vestia de determinada maneira ou por que estava fora de casa num determinado momento desviavam a atenção da questão central do comportamento criminoso. Em vez disso, a sociedade deve questionar porque é que os perpetradores escolhem agir de forma violenta e porque acreditam que podem escapar às consequências, afirmou.
Referindo-se a casos recentes de abuso online, o comité citou o assédio enfrentado pelo actor Anasuya e pela cantora Chinmayi depois de terem falado contra as opiniões patriarcais sobre o vestuário feminino.
O comunicado afirma que Anasuya foi alvo de abusos online contínuos, incluindo a circulação de fotografias privadas provenientes de redes sociais, eventos familiares e ocasiões pessoais. Tais actos, afirmou, constituíam uma grave violação da privacidade e da dignidade.
A comissão também criticou os debates televisivos e os conteúdos online que, segundo ela, promovem narrativas misóginas e sarcásticas que visam a autonomia das mulheres. Alegou que alguns canais priorizaram os TRPs em detrimento da responsabilidade social, criando conteúdos que zombavam e envergonhavam as escolhas das mulheres. Tal conteúdo, afirmou, normalizou a ideia de que os corpos das mulheres estavam abertos à “discussão e dissecação” públicas.
A declaração observou ainda que retratar os homens telugu como sem autocontrole e como potenciais infratores com base nas roupas femininas era impreciso e insultuoso. “Estas visões regressivas, como a culpabilização das vítimas e os estereótipos sobre os homens, não têm lugar na nossa sociedade”, afirma o comunicado.
A comissão opôs-se às tentativas de justificar a culpabilização das vítimas em nome da cultura, afirmando que o respeito pelas mulheres significava respeitar a sua autonomia e o direito de viver sem medo, não policiar os seus corpos ou comportamento.
“Para nós, vestir-se tem a ver com clima, conforto e confiança. Assim como é para os homens. Vamos celebrar a nossa cultura como uma cultura progressista que muda com o tempo, e não restringi-la com noções patriarcais”, disse o comitê no comunicado.
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