Três anos depois de seu último álbum de estúdio Maria Becerra retorna com Quimera, um projeto que sinaliza uma mudança completa em seu mundo criativo. Ele emerge como seu corpo de trabalho mais vulnerável, abrangente e tematicamente coeso, nascido não da certeza, mas da agitação emocional. Como ela explica, “Quimera é o projeto mais pessoal e ambicioso da minha carreira”.
Há mais de um ano, ela tinha um álbum finalizado e pronto para ser lançado. Ela gravou músicas, fechou ideias e marcou o caminho a seguir. Então a vida atingiu severamente. O que ela escreveu começou a doer. A música, geralmente seu refúgio, tornou-se um espelho refletindo apenas tristeza. Ela continuou escrevendo mesmo assim, mas cada melodia vinha da mesma ferida. Esse desconforto se transformou em uma questão que abalou todo o projeto: como criar a partir de um lugar que abrange mais do que apenas a dor?
A resposta passou a ser Quimera. Isso a levou a reconstruir o álbum do zero e a inventar uma nova linguagem emocional. Ela entrou em introspecção não para escapar dela, mas para remodelá-la. O resultado é um disco que transforma o vazio em movimento, o desgosto em narrativa e o caos interior em arte.
“É um álbum profundamente introspectivo e conceitual onde, através de diferentes alter egos, pude explorar diferentes mundos, cada um com sua personalidade, sonoridade e perspectiva.”
Maria Becerra
Um universo dividido em cinco vozes
Maria sempre escreveu histórias pessoais. Isso inclui suas próprias experiências e as das pessoas próximas a ela. Desta vez, ela foi além ao criar quatro alter egos, cada um representando uma parte diferente de sua identidade. “Esses personagens nasceram de emoções e experiências muito reais e me permitiram contar histórias de novos lugares, tanto musicalmente quanto visualmente”, explica ela.
Maitéo terno, moldado pela vulnerabilidade e pelo tipo de amor que ensina. Jojo incorpora puro brilho e sensualidade, com uma voz que se move livremente sem desculpas. Shanina representa o fogo que incorpora intensidade, dualidade e desejo mutável. Gladysa força de base, está ligada às suas raízes, à sua vizinhança e à sua verdade crua.
Cada identidade conduz três faixas, explorando gêneros, humores, estéticas e tons emocionais distintos. No álbum, a salsa se funde com o urbano, o R&B se mistura com o pop e o dembow convive com texturas experimentais. É um mosaico onde a melancolia e o empoderamento coexistem sem atritos.
No centro do álbum está a própria Maria. Sem personagem, sem máscara, sem performance. Cinco músicas revelam sua voz mais autêntica. Essas músicas falam sobre desmoronar, curar, segurar e deixar ir. Eles são a espinha dorsal do álbum, no momento em que ela para de contar histórias e começa a confessar.
Uma mão criativa mais profunda
Produzido por Xross com Maria profundamente envolvida no processo, Quimera mostra seu avanço na produção e direção visual. Vários videoclipes partem de conceitos que ela mesma desenvolveu, marcando uma nova etapa em seu controle criativo.
Colaborações que servem a história
As características do Quimera não são apenas nomes. Eles expandem o mundo de cada identidade. Taichu, Jay Wheelere J.Rei entre nos espaços mais vulneráveis do álbum. TINI e Paulo Londres corresponder à energia de Shanina. Karina La Princesa amplifica Gladys. El Alfa conhece Jojo em seu ponto mais magnético.
Dando vida a ‘Quimera’
A apresentação oficial chega nos dias 12 e 13 de dezembro às Estádio River Platemaior casa de shows da América do Sul, em seu primeiro show em 360 graus. É um grande movimento de encenação que sugere algo além de um concerto. Parece que uma visão artística completa se desenrola ao vivo.
Como diz Maria: “Espero que os ouvintes possam se conectar com essas músicas e com todo o universo que criamos em torno deste projeto”.
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