William Shatner admitiu sentir-se ambivalente em relação a “Star Trek”. Por um lado, trouxe-lhe muita fama. Ele era um praticante estudioso e obstinado de seu ofício, que sempre desejou ser um protagonista. Ele viu “Star Trek” como dele show e estava feliz por estar no centro das atenções por isso. O ego de Shatner era grande (como seus colegas de elenco apontaram alegremente)mas ele levava seu trabalho a sério. Quando o show foi cancelado, Shatner parecia muito feliz em deixar isso para trás e seguir para outros projetos. Então a série se tornou um fenômeno cult.
Shatner ficou perplexo com o sucesso pós-cancelamento de “Star Trek”. Ele nunca gritou para os fãs “Get a life”, como naquele infame esboço do “Saturday Night Live”, mas ele também não estava exatamente ansioso para relembrar. Os anos se passaram e ele começou a reprisar seu papel como James T. Kirk em vários filmes de “Star Trek”. No final da década de 1980, entretanto, Shatner percebeu que havia parado de levar o papel tão a sério como antes. Ele era muito protetor com o personagem Kirk, sim, mas não estava investindo tanto quanto podia em suas performances. Além disso, “Star Trek” tornou-se, de certa forma, uma piada. Shatner foi ridicularizado por sua atuação frequentemente demonstrativa. Ele tentava lidar com a zombaria algumas vezes, mas outras vezes não.
Isso mudou quando ele viu Patrick Stewart se apresentar. Stewart interpretou o capitão Jean-Luc Picard em “Star Trek: The Next Generation” (uma série spin-off que começou em 1987) e veio dos palcos da Inglaterra, tendo sido treinado em teatro clássico. Sua ética de trabalho era imperturbável e ele era totalmente dedicado a cada uma de suas funções. Em uma entrevista de 2012 com a NPRShatner admitiu que ver a devoção de Stewart revitalizou sua visão de seu próprio ofício.
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William Shatner foi inspirado pela devoção de Patrick Stewart à atuação
Capitães Picard e Kirk em uma passarela em Star Trek: Generations. – Paramount
Shatner lembrou como levou “Star Trek” a sério na década de 1960. “Apliquei todo talento que tinha”, explicou ele, “para torná-lo válido e trabalhar na história e no gerenciamento da luta e fazer o melhor que pude”. Quando “Star Trek” se tornou popular na década de 1970, não encontrou apenas um novo público; também se tornou um chavão da cultura pop. Shatner descobriu que os fãs esperariam que ele repetisse falas de diálogo ou fizesse piadas sobre os elementos mais cafonas da série. Basicamente, a arte da coisa desapareceu. Shatner admitiu estar na defensiva:
“Alguém diria: ‘Você realmente vai aonde nenhum homem esteve antes?’ Nesse tom meio zombeteiro. […] Eu pensei: ‘Bem, tudo bem. Talvez não tenha sido tão bom quanto eu pensava.
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Mas então “Next Generation” apareceu e Shatner se sentiu renovado. O esforço que Stewart despejou na série lembrou Shatner de seus primeiros dias interpretando Kirk. “[…] Tenho grande respeito por Patrick, tanto como ator quanto como [a] homem. Eu o amo”, explicou Shatner. Ele então percebeu que esse “grande ator shakespeariano” estava dando tudo de si para seu papel em “Star Trek”. “E eu costumava fazer isso. E eu parei. E o que diabos há comigo? Shatner acrescentou. “Foi um ótimo trabalho. Todos contribuíram para três anos que duraram 50. É um fenômeno. Por que não estou orgulhoso disso? E foi então que tive aquele momento.”
Shatner e Stewart finalmente tiveram a oportunidade de trabalhar juntos no filme de 1994 “Star Trek: Generations”, que empregou alguns conceitos que distorcem o tempo para permitir que seus personagens se encontrem e compartilhem várias cenas juntos. Poderíamos esperar que Shatner fosse capaz de dizer a Stewart na cara dele que ele revitalizou seu amor pela arte.
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Leia o artigo original no SlashFilm.
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