O risco de Drake de converter uma canção obscena em um processo por difamação explodiu de forma espetacular. Na quinta-feira, a juíza Jeannette Vargas apoiou a moção do Universal Music Group para encerrar o caso, concluindo que o impetuoso “Diferente de nós”era arte exagerada, não uma afirmação verdadeira.
“A batalha de rap de sete faixas dos artistas foi uma ‘guerra de palavras’ que foi objeto de escrutínio substancial da mídia e de discurso online”, escreveu Vargas. Ela aceitou a gravidade de levantar acusações de pedofilia contra outra pessoa, mas declarou que nenhum ouvido razoável acreditaria que Lamar falava literalmente. Para o tribunal, as faixas dissimuladas permanecem como campos de batalha líricos, e não como declarações autenticadas.
Quando brigas de rap se transformam em risadas no tribunal
A comunidade musical ficou em choque quando Drake, em vez de responder com outra música, processou em janeiro sua própria gravadora UMG. Ele alegou que a corporação “fez uma campanha” contra ele, promovendo “Diferente de nós“Com bots e promoções desprezíveis, sabendo ao mesmo tempo que as acusações apresentadas por Lamar eram falsas. Talvez o mais flagrante seja o facto de o próprio Lamar não ter sido processado como réu.
A ação foi descrita como desesperada pelos críticos e, nos círculos do hip-hop, o processo foi alvo de grande parte do ridículo. “Poucos esperavam que um rapper respondesse a uma faixa dissimulada com uma ação judicial”, observou uma fonte. “Menos ainda menos esperavam que ele processasse a maior gravadora do mundo.”
UMG contra-atacou com algum vigor, chamando as acusações de Drake de infundadas e apontando que a lenda canadense havia lançado alguns explosivos verbais de sua autoria. O juiz Vargas concordou, citando os insultos de Drake em “Assuntos de família”, onde se referiu a Lamar como um agressor doméstico e lançou dúvidas sobre a paternidade de seus filhos.
Diss de Kendrick é um terremoto cultural
“Not Like Us” foi um terremoto cultural antes mesmo do processo. Lançada em maio do ano passado, a música estourou nas paradas, ganhou cinco Grammys, incluindo disco e música do ano, e se tornou uma música de estádio. O drama alcançou o espetáculo máximo quando aconteceu no Super Bowl e Lamar se dirigiu diretamente à câmera cantando a letra: “Diga, Drake, ouvi dizer que você gosta deles jovens”.
Os advogados de Drake disseram que a publicação da calúnia em uma música que rendeu três Grammys e um destaque no Super Bowl o colocou em difamação acionável. Não existe tal indulto, disse o juiz Vargas. “Se as publicações constituem factos acionáveis ou opiniões protegidas não pode variar com base na popularidade que alcançam”, decidiu ela.
UMG abre champanhe enquanto Drake avalia suas opções
A UMG vangloriou-se numa declaração à Billboard: “Desde o início, este processo foi uma afronta a todos os artistas e à sua expressão criativa e nunca deveria ter visto a luz do dia. Estamos satisfeitos com a demissão do tribunal e esperamos continuar o nosso trabalho promovendo com sucesso a música de Drake e investindo na sua carreira”.
O pessoal de Drake não comentou, mas seus advogados ainda podem apelar do veredicto. Até esse momento, a decisão consolida a faixa dissimulada de Lamar como mais do que um sucesso nas paradas, mas como uma guerra de rap legalmente certificada.
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